Parece que morreu o senhor Fernando, o bom velhote da drogaria da rua da Lapa.
Era eu petiz e já ia lá buscar artigos variados, como se ali estivesse um moderno bazar chinês. E em certa medida a drogaria lisboeta de há 30 anos era um bazar urbano de proximidade, como hoje são os tão úteis bazares chineses.
Já nada petiz, estive por lá a última vez há 2 anos. Não me reconheceu.
Perguntei por histórias de antanho e lá repetiu episódios que me dissera já mais de uma dezena de vezes. Foi-me grato ainda assim ouvi-lo e sentir que, descontada a antiguidade biológica, de dentro da sua bata branca e dos seus óculos de massa, o senhor Fernando continuava a ser o que sempre fôra, um vivo e interessantíssimo depositório de utilidades, conveniências e histórias vivas.
Era o senhor Fernando um ícone de uma certa Lisboa. Que já quase não há.
30.12.09
27.12.09
uma criança afegã
"An Afghan girl watches U.S. Army soldiers from Task Force Bravo 2/151 infantry during a patrol at Alo Khil village in Khowst province, Afghanistan, December 26, 2009."
foto: REUTERS/Zohra Bensemra
histórias fantásticas de um dia muito frio
Na vilazinha espanhola de Alberca há um porco preto de cerca de 100 quilos que se passeia em paz pelas ruas, por entre turistas e locais.
Algures em Janeiro será leiloado e alguém o poderá enfim tornar ingrediente de mesa. Ou não.
Um nutricionista vem à televisão dizer o que não se compreende que não seja ensinado "urbi et orbi", que há remédios naturais para os excessos alimentares, designadamente os excessos de açúcar. Duas nozes comidas entre refeições podem fazer milagres, diz o senhor. A toma de canela ou uma dieta de sopas e iogurtes líquidos no dia seguinte podem também ajudar deveras.
Parece haver portugueses que dispendem 800 euros num alisamento de cabelos, segundo técnicas "japonesas".
Na zona mais séria da vida, um jovem nigeriano, ontem, ia-se fazendo explodir num avião, já em território norte-americano. Não se sabe mais o que dizer, ao perceber-se que o 11 de Setembro de 2001 afinal não deixou todas as lições de que necessitamos. É que, antes como agora, a guerra ao terror começa dentro de portas, começa até em nós. Por fortuna, desta vez o azar esteve com o agente do terror. E já aí estão as "trancas na porta", acompanhadas de mensagens diplomáticas e garantias de melhoria global e definitiva da segurança das aeroviagens. Até ao próximo desmazelo.
Algures em Janeiro será leiloado e alguém o poderá enfim tornar ingrediente de mesa. Ou não.
Um nutricionista vem à televisão dizer o que não se compreende que não seja ensinado "urbi et orbi", que há remédios naturais para os excessos alimentares, designadamente os excessos de açúcar. Duas nozes comidas entre refeições podem fazer milagres, diz o senhor. A toma de canela ou uma dieta de sopas e iogurtes líquidos no dia seguinte podem também ajudar deveras.
Parece haver portugueses que dispendem 800 euros num alisamento de cabelos, segundo técnicas "japonesas".
Na zona mais séria da vida, um jovem nigeriano, ontem, ia-se fazendo explodir num avião, já em território norte-americano. Não se sabe mais o que dizer, ao perceber-se que o 11 de Setembro de 2001 afinal não deixou todas as lições de que necessitamos. É que, antes como agora, a guerra ao terror começa dentro de portas, começa até em nós. Por fortuna, desta vez o azar esteve com o agente do terror. E já aí estão as "trancas na porta", acompanhadas de mensagens diplomáticas e garantias de melhoria global e definitiva da segurança das aeroviagens. Até ao próximo desmazelo.
os melhores álbuns de canções Pop de 2009, segundo alguns
Merriweather Post Pavilion, de Animal Collective
Mojo
Pitchfork
PopMatters.com
PÚBLICO/Ipsilon
Spin
Times online
Uncut
Middle Cyclone, de Neko Case
Amazon.com
Barnes & Noble
the XX, de XX
Fact Magazine
Guardian
Wolfgang Amadeus Phoenix, de Phoenix
DrownedInSound.com
Travail, Transformation and Flow, de Steve Lehman Octet
New York Times
Primary Colours, de the Horrors
NME
25.12.09
o Natal é das crianças, as que são e as que somos
É uma mistificação pensar-se que o Natal se fez para os adultos que somos. Não. O Natal fez-se para as crianças que somos e para as crianças que são mesmo crianças.
Ele são as prendas, a cor e o fausto das mesas, os risos e as histórias que uma e outra vez se conta à mesa.
No Natal dos que não têm problemas a fantasia ganha o seu lugar em casa. Apenas para esses há verdadeiramente Natal.
o Pai Natal Tomás
Conheci um dia um Pai Natal. Chamava-se Tomás e era cigano e também palhaço. A sua teatralização do personagem vestido de vermelho era meio tristonha, mas sempre capaz de aquecer os espíritos de crianças, pais e até avós. O Tomás era analfabeto, mas muito culto. O Tomás era daquele tipo de cabeças que sabem sem terem tido professores. A sua vida, as suas redes sociais, a sua experiência ensinara-lhe tudo o que precisava. E tudo isso ele passava naquele seu duplo papel, de palhaço e ocasional Pai Natal.
24.12.09
a mudança de verdade nos Estados Unidos de Obama
Nos Estados Unidos de Barack Obama há hoje motivos para bom regozijo: foi aprovado pelo senado a grande reforma de Saúde que era a grande proposta da campanha presidencial de há 1 ano.
A partir de hoje, os cerca de 30 milhões que na América não tinham qualquer ajuda pública na saúde que não a discricionária misericórdia de quem estivesse em cada dia no hospital, esses poderão passar a proporcionar-se e aos seus filhos verdadeiro apoio naquele que é o primeiro de todos os nossos direitos, o direito à vida.
A partir de hoje, os cerca de 30 milhões que na América não tinham qualquer ajuda pública na saúde que não a discricionária misericórdia de quem estivesse em cada dia no hospital, esses poderão passar a proporcionar-se e aos seus filhos verdadeiro apoio naquele que é o primeiro de todos os nossos direitos, o direito à vida.
vislumbre da paz em tempo de Natal
"An Afghan villager looks at U.S. army soldier Sergeant Dickson from Task Force Denali Platoon 1-40 CAV while he keeps watch during a patrol at Zemesa Wadi village in Khowst province, Afghanistan, December 23, 2009."
foto REUTERS/Zohra Bensemra
a propósito da tragédia do Hot Club, esta semana
texto publicado no Diversus a 13 de Outubro de 2008:
Estive poucas vezes no Hot Club, ali na Praça da Alegria.
A última vez faz já anos e nunca a esqueci, de tão emblemática.
Levava comigo um amigo, o Bill, que anos antes, em Birmingham, me tinha proporcionado uma excelente noite no famoso Ronnie Scott's.
Á entrada o Hot Club nada promete, sobretudo se comparado com a grandiloquência do Ronnie.
Depois entra-se, desce-se uns bons metros, em escada estreitíssima, e o que aparece são uns exíguos metros quadrados onde cabem poucas dezenas, se devidamente encostados uns aos outros.
Nos dias bons o Hot tem vinte, trinta pessoas.
Tem um balcão de serviço de líquidos e snack mesmo à medida, poucas mesas e um ambiente próprio de quem está em casa.
Ora nessa noite tocava uma banda tão informal quanto parece costume. Eu e o Bill tomávamos um copo e eis que se chega ao balcão o pianista, que depois de uns quarenta minutos de bom tocar intervalava para se refrescar. Seriam talvez umas duas da manhã.
Feito o elogio pela entrega, perguntou o Bill se actuava ele regularmente no Hot e em que clubes mais se poderia encontrá-lo em performance.
A resposta do pianista não deixou dúvidas: actuo aqui sempre que tenho cirurgias em Santa Maria. É o caso hoje. Tocar piano permite-me exercitar os dedos e a sua destreza. Por isso venho tocar. Entro no "banco" do hospital dentro de menos de uma hora.
Naquele dia foi um médico. Consta que em outros dias, noutros tempos, no Hot Club podia ver-se por vezes a descer as escadas um qualquer músico norte-americano em trânsito para espectáculos na Europa. Terá isto acontecido muitas vezes, nos anos sessenta e setenta, com músicos de primeira água, que fariam escala apenas para uma boa "jam session".
Acontece que senti saudades do Hot Club.
Na quarta-feira vou matá-las, com os Dead Combo, o mais promissor projecto musical Pop em acção aqui no rectângulo.
e no dia 16 saiu este texto:
Os Dead Combo levaram fogo muito vivo esta noite à pequena e velha cave da baixa de Lisboa, trazendo consigo Alexandre Frazão, um baterista brasileiro de raíz jazz e de infinitos recursos.
Foram mais de 2 horas de entrega, com dois "sets" (como lhes chamaram os próprios) bem distintos, o primeiro em registo sem bateria, bom mas previsível, estimulante q.b. O segundo "set", já com Alexandre, transportou as dezenas de atafulhados espectadores para uma outra dimensão, a do concerto-evento, com laivos de autêntico "rock'n'roll" (como quando da luminosa versão do "Temptation" de Tom Waits).
Até prova em contrário, quando tocam com Alexandre Frazão, os Dead Combo serão mesmo o único super-grupo português em actividade.
Um magnífico concerto.
Estive poucas vezes no Hot Club, ali na Praça da Alegria.A última vez faz já anos e nunca a esqueci, de tão emblemática.
Levava comigo um amigo, o Bill, que anos antes, em Birmingham, me tinha proporcionado uma excelente noite no famoso Ronnie Scott's.
Á entrada o Hot Club nada promete, sobretudo se comparado com a grandiloquência do Ronnie.
Depois entra-se, desce-se uns bons metros, em escada estreitíssima, e o que aparece são uns exíguos metros quadrados onde cabem poucas dezenas, se devidamente encostados uns aos outros.
Nos dias bons o Hot tem vinte, trinta pessoas.
Tem um balcão de serviço de líquidos e snack mesmo à medida, poucas mesas e um ambiente próprio de quem está em casa.
Ora nessa noite tocava uma banda tão informal quanto parece costume. Eu e o Bill tomávamos um copo e eis que se chega ao balcão o pianista, que depois de uns quarenta minutos de bom tocar intervalava para se refrescar. Seriam talvez umas duas da manhã.
Feito o elogio pela entrega, perguntou o Bill se actuava ele regularmente no Hot e em que clubes mais se poderia encontrá-lo em performance.
A resposta do pianista não deixou dúvidas: actuo aqui sempre que tenho cirurgias em Santa Maria. É o caso hoje. Tocar piano permite-me exercitar os dedos e a sua destreza. Por isso venho tocar. Entro no "banco" do hospital dentro de menos de uma hora.
Naquele dia foi um médico. Consta que em outros dias, noutros tempos, no Hot Club podia ver-se por vezes a descer as escadas um qualquer músico norte-americano em trânsito para espectáculos na Europa. Terá isto acontecido muitas vezes, nos anos sessenta e setenta, com músicos de primeira água, que fariam escala apenas para uma boa "jam session".
Acontece que senti saudades do Hot Club.
Na quarta-feira vou matá-las, com os Dead Combo, o mais promissor projecto musical Pop em acção aqui no rectângulo.
e no dia 16 saiu este texto:
Os Dead Combo levaram fogo muito vivo esta noite à pequena e velha cave da baixa de Lisboa, trazendo consigo Alexandre Frazão, um baterista brasileiro de raíz jazz e de infinitos recursos.Foram mais de 2 horas de entrega, com dois "sets" (como lhes chamaram os próprios) bem distintos, o primeiro em registo sem bateria, bom mas previsível, estimulante q.b. O segundo "set", já com Alexandre, transportou as dezenas de atafulhados espectadores para uma outra dimensão, a do concerto-evento, com laivos de autêntico "rock'n'roll" (como quando da luminosa versão do "Temptation" de Tom Waits).
Até prova em contrário, quando tocam com Alexandre Frazão, os Dead Combo serão mesmo o único super-grupo português em actividade.
Um magnífico concerto.
22.12.09
20.12.09
desproporção de razões
"A woman is warded off by policemen as she tries to stop a demolition of a house built illegally on public land in Zuoling, Hubei province, China, December 17, 2009."
foto REUTERS/Stringer
a possível visão do invisível
"Cientistas podem ter vislumbrado matéria negra
No fundo de uma velha mina no estado americano do Minnesota, cientistas podem ter visto pela primeira vez matéria negra, a matéria invisível que se pensa compor cerca de um quarto do Universo."
ler o resto
in PÚBLICO on line, hoje
19.12.09
o meu amigo Ruben
Conheci ontem o Ruben, um homem de 5 anos. Menos de uma hora depois, o Ruben foi embora e quis despedir-se com um abraço. Abraçámo-nos. Entre outras qualidades que já lhe descobri, este novo amigo é malabarista.
18.12.09
beleza e luto em Beirute
"Hezbollah supporters mourn Imam Hussein as Lebanon's Hezbollah leader Sayyed Hassan Nasrallah addresses his supporters via a screen during a religious ceremony in the suburbs of Beirut December 17, 2009. The ceremony commemorates the eve of the ten-day Ashura festival which falls on the first day of the Islamic lunar month of Muharram, the first month in the Islamic calendar. During Ashura, Muslim Shiites pay tribute to Imam Hussein, the grandson of Prophet Mohammad, who died in battle in Kerbala in 680 A.D."
foto REUTERS/ Issam Kobeisy
fogueira da verdade. em Delhi e em Copenhaga
"A woman carries firewood at a garbage dump on the outskirts of New Delhi December 17, 2009. Prospects for a strong U.N. climate change deal grew more remote on Thursday at the climax of two years of talks, with developed and developing nations deadlocked on sharing cuts in greenhouse gases."
foto REUTERS/Enrico Fabian
17.12.09
o melhor que ficou das músicas de 2009
10 álbuns de canções Pop:
1. "Inspiration Information 3". Mulatu Astatke and the Heliocentrics
2. "Liedgut". Atom Tm
3. "Still Night, Still Light". Au Revoir Simone
4. "Bitte Orca". Dirty Projectors
5. "The bright Mississipi". Allen Toussaint
6. "II". Lindstrom & Prins Thomas
7. " Rules". the Whitest Boy Alive
8. "Let's Change the World With Music". Prefab Sprout
9. "Take My Breath Away". Gui Boratto
10. "Dr. Boondigga & the Big Bw". Fat Freddy's Drop
5 canções Pop:
1. "Bay of Pigs". Destroyer
2. "Rusty Nails". Moderat
3. "Mammut". Prins Thomas
4. "Stillness Is the Move". Dirty Projectors
5. "Ride". Prefab Sprout
o álbum de música erudita:
"Brockes Passion", de Georg Philipp Telemann, dir. por René Jacobs
o álbum de música Jazz ou Contemporâneas:
"Compass", de Joshua Redman
o álbum com músicas ao vivo:
"Glitter and Doom live", de Tom Waits
a compilação de canções:
"Can You Dig It? The music and politics of black action films 1968-75"
o álbum por portugueses:
"É Isso Aí". Aquaparque
16.12.09
outra vez a Conferência de Copenhaga
O mundo esperava pouco de Copenhaga, mas arrisca-se a ter nada. Os principais líderes, mesmo os mais respeitados, já anunciam o zero, como se fosse matéria de orgulho. O grau zero da política internacional, é o que é.
14.12.09
melhores músicas de antes descobertas em 2009
5 álbuns de músicas Pop:
1. "Mirror", de I'm Not A Gun, de 2008
2. "Mellow Dramas: poetry meets electronica", de Jen, de 2008
3. "Sloppy Ground", de Eric Chenaux, de 2008
4. "Who is this America?", de Antibalas, de 2004
5. "Other Ink", de the Dining Rooms, de 2008
1 álbum de música erudita::
"Die Schöpfung", de Josef Haydn, dirigido em 1983 por Herbert von Karajan
1 álbum de músicas Jazz ou Contemporâneas:
"Butterfly". Azymuth, de 2008
os melhores espectáculos musicais de 2009
1. Mulatu Astatke, na Rua das Janelas Verdes, em Lisboa, a 26 de Setembro
2. João Bosco, na Aula Magna, em Lisboa, a 26 de Novembro
3. Jon Hassell & Maarifa Street, no Teatro Maria Matos, em Lisboa, em Outubro
4. Aquaparque, no Espaço Chiado, em Lisboa, em Fevereiro
5. Gavin Russom, no Espaço Chiado, em Lisboa, em Fevereiro
2. João Bosco, na Aula Magna, em Lisboa, a 26 de Novembro
3. Jon Hassell & Maarifa Street, no Teatro Maria Matos, em Lisboa, em Outubro
4. Aquaparque, no Espaço Chiado, em Lisboa, em Fevereiro
5. Gavin Russom, no Espaço Chiado, em Lisboa, em Fevereiro
o melhor de 2009: as imagens
melhores filmes vistos no Café:
1. "Gran Torino", de Clint Eastwood
2. "Into the Wild", de Sean Penn
3. "This is England", de Shane Meadows
4. "A Valsa de Bashir", de Ari Folman
5. "Welcome", de Philippe Lioret
melhores séries:
1. "Brotherhood/Irmandade", produzida por Blake Masters
2. "30Rock", prod. Tina Fey
3. "Flashpoint, série 2", prod. Mark Ellis
4. "the Kill Point", prod. Lion's Gate tv
melhor programa televisivo em Portugal:
"Gato Fedorento Esmiuça os Sufrágios"
1. "Gran Torino", de Clint Eastwood
2. "Into the Wild", de Sean Penn
3. "This is England", de Shane Meadows
4. "A Valsa de Bashir", de Ari Folman
5. "Welcome", de Philippe Lioret
melhores séries:
1. "Brotherhood/Irmandade", produzida por Blake Masters
2. "30Rock", prod. Tina Fey
3. "Flashpoint, série 2", prod. Mark Ellis
4. "the Kill Point", prod. Lion's Gate tv
melhor programa televisivo em Portugal:
"Gato Fedorento Esmiuça os Sufrágios"
13.12.09
a conferência de Copenhaga e os cépticos
No âmbito das discussões climatológicas que antecederam a conferência de Copenhaga, talvez mais do que já antes na de Quioto, assumem grande destaque mediático as posições dos chamados "cépticos".
Os "cépticos" dizem que em praticamente nada a actividade humana colide com o equilíbrio do clima, sendo irrelevantes os esforços e as políticas que se adoptem para minimizar um efeito que eles negam se produza.
Em poucas palavras, um deles sintetizou a sua posição com algo como "o melhor resultado de Copenhaga é que não haja decisões nenhumas; para quê arranjar soluções para problemas que não existem?"
O mundo segue perfeito, a temperatura até está a baixar e não a subir, os calotes polares estão bem e recomendam-se e o mal de tudo é que há uns quantos cientistas que urdiram esta invenção de que o efeito de estufa resulta do CO2, quando na verdade resulta da temperatura.
Num debate televisivo desta noite (na SIC Notícias) o "céptico" presente conseguiu mesmo condicionar o discurso de um secretário de estado e dois especialistas.
E o que fica na cabeça de quem os ouve é sempre a mesma pergunta: e se o tipo tem razão?
Os "cépticos" dizem que em praticamente nada a actividade humana colide com o equilíbrio do clima, sendo irrelevantes os esforços e as políticas que se adoptem para minimizar um efeito que eles negam se produza.
Em poucas palavras, um deles sintetizou a sua posição com algo como "o melhor resultado de Copenhaga é que não haja decisões nenhumas; para quê arranjar soluções para problemas que não existem?"
O mundo segue perfeito, a temperatura até está a baixar e não a subir, os calotes polares estão bem e recomendam-se e o mal de tudo é que há uns quantos cientistas que urdiram esta invenção de que o efeito de estufa resulta do CO2, quando na verdade resulta da temperatura.
Num debate televisivo desta noite (na SIC Notícias) o "céptico" presente conseguiu mesmo condicionar o discurso de um secretário de estado e dois especialistas.
E o que fica na cabeça de quem os ouve é sempre a mesma pergunta: e se o tipo tem razão?
a gnose
Ontem fui interpelado por um par de "testemunhas de Jeová". Educadamente parei, para esclarecer que era agnóstico.
Inconformada, uma das interpelantes logo me perguntou "muito bem, mas acredita em Deus?".
Acabei desejando-lhes uma boa "evangelização" pelas ruas do Cacém. Passos adiante, reparei que a senhora ainda me olhava, estacada no passeio.
É que isto da rejeição da gnose tem o que se lhe diga.
Inconformada, uma das interpelantes logo me perguntou "muito bem, mas acredita em Deus?".
Acabei desejando-lhes uma boa "evangelização" pelas ruas do Cacém. Passos adiante, reparei que a senhora ainda me olhava, estacada no passeio.
É que isto da rejeição da gnose tem o que se lhe diga.
11.12.09
fogo e esperança em Kashmir
"Activists of Jammu Kashmir Liberation Front (JKLF), a Kashmiri separatist party, hold torches during a procession to mark World Human Rights Day in Srinagar, December 10, 2009."
foto REUTERS/Fayaz Kabli
Cavaco Silva e a governabilidade
Anibal Cavaco Silva decretou, do alto da sua experiência, que o país é governável em minoria. Invocou para tanto a sua própria experiência de menos de 2 anos de governo, menos de metade de uma legislatura, de entre 1985 e 1987.
Se alguém se lembrar do que foi esse governo de Aníbal vai ter de repescar da memória toda a dinâmica propagandística e autovitimizadora então inoculada e que culminou na marcante maioria absoluta cavaquista de 19 de Julho de 1987.
Parece ser exactamente essa a rota que Sócrates ambiciona. Cavaco mais não fez que realçar a sua pertinência. Ele há alianças espirituais de que o interesse duradouro dos portugueses bem prescindiria.
Se alguém se lembrar do que foi esse governo de Aníbal vai ter de repescar da memória toda a dinâmica propagandística e autovitimizadora então inoculada e que culminou na marcante maioria absoluta cavaquista de 19 de Julho de 1987.
Parece ser exactamente essa a rota que Sócrates ambiciona. Cavaco mais não fez que realçar a sua pertinência. Ele há alianças espirituais de que o interesse duradouro dos portugueses bem prescindiria.
10.12.09
as roupas de carácter que definem muito bem Maria José Nogueira Pinto
A regressada deputada Maria José Nogueira Pinto chamou a um seu colega deputado de palhaço. Embora ser chamado de palhaço não equivalha ao famoso "vai para o c..." do deputado seu correlegionário José Eduardo Martins, meses atrás, a verdade é que acaba por se revelar uma roupagem curiosa para o carácter de alguém para quem o mundo está abaixo de si e para quem a perfeição parece estar atingida há muito. E nem surpreenderá assim tanto o incidente. Conhecedores anteriores famosos desta tonitruância verborreica: António Lobo Xavier e Pedro Santana Lopes. E é tal a veste que nem pele.
8.12.09
um dilema em 13 pontos de uma Europa hoje a 27, amanhã talvez a 40
Ao contrário do que diz José Pacheco Pereira, e do que dizem muitos dos que se opõem à nova reforma institucional/constitucional da União Europeia (consagrada no Tratado de Lisboa), o problema que está por resolver não é o da maior ou menor soberania de cada um dos estados que a integram.
A simples adesão de cada estado à UE já pressupunha a subscrição do princípio da partilha de soberania, sendo que aqui partilha se entenderá num dúplice sentido de cedência mas também de exercício de poderes transnacionais de esfera mais ampla.
Claro que Portugal partilha soberania e partilhará cada vez mais. E é claro que no contexto de uma Europa desigual, económica e demograficamente, o Luxemburgo não pode pesar o mesmo nas decisões que pesam a Alemanha, a França, a Polónia.
Então se considerarmos natural, inevitável, aceitável que Portugal participe de um processo de democratização política europeia, então que dilema se lhe coloca, e com Portugal a todos os europeus, e a todos os valores que nos são comuns no "velho continente"?
Resposta: é o dilema civilizacional. O que a Europa, hoje a 27, amanhã talvez a 40, tem para decidir é se quer, pode e sabe dar os passos certos na direcção da afirmação do que ela representa civilizacionalmente e do que nela se contém.
E de que valores civilizacionais essenciais falamos nós, a ponto de os elegermos como os grandes objectivos da construção europeia?
1. o valor da lei acima de todos
2. o valor da paz
3. os valores do progresso e do bem estar sócio-económicos
4. o valor do direito universal à saúde
5. o valor da liberdade
6. o valor da democracia participativa
7. o valor da igualdade, em todas as dimensões, de direitos dos géneros sexuais
8. o valor da protecção dos concidadãos mais fracos e desprotegidos, designadamente dos velhos e doentes
9. o valor da maior igualdade possível de oportunidades no acesso ao trabalho e ao ensino
10. o valor da livre diferenciação cultural
11. o valor dos direitos legais e sociais mais elementares dos trabalhadores por conta de outrém, parte mais fraca no jogo das forças laborais
12. o direito à prática cultural, religiosa e lúdica livres e diferenciadas
13. o valor da prática científica e do exercício do conhecimento
Adquiridos estes valores e princípios como o núcleo fundamental de uma identidade civilizacional europeia é depois preciso protegê-lo dos ataques de todos os que com ele contendem ou os agridem e é ainda imprescindível que a Europa seja capaz de os fazer inocular no mundo que deles carece. Falo de boa parte da África, mas também falo da Ásia, e de partes da América Latina.
Este é o dilema e a responsabilidade da União Europeia: saber preservar e incrementar a sua identidade histórica, realizar o progresso e trazer paz duradoura ao seu território e ao mundo em geral.
A simples adesão de cada estado à UE já pressupunha a subscrição do princípio da partilha de soberania, sendo que aqui partilha se entenderá num dúplice sentido de cedência mas também de exercício de poderes transnacionais de esfera mais ampla.
Claro que Portugal partilha soberania e partilhará cada vez mais. E é claro que no contexto de uma Europa desigual, económica e demograficamente, o Luxemburgo não pode pesar o mesmo nas decisões que pesam a Alemanha, a França, a Polónia.
Então se considerarmos natural, inevitável, aceitável que Portugal participe de um processo de democratização política europeia, então que dilema se lhe coloca, e com Portugal a todos os europeus, e a todos os valores que nos são comuns no "velho continente"?
Resposta: é o dilema civilizacional. O que a Europa, hoje a 27, amanhã talvez a 40, tem para decidir é se quer, pode e sabe dar os passos certos na direcção da afirmação do que ela representa civilizacionalmente e do que nela se contém.
E de que valores civilizacionais essenciais falamos nós, a ponto de os elegermos como os grandes objectivos da construção europeia?
1. o valor da lei acima de todos
2. o valor da paz
3. os valores do progresso e do bem estar sócio-económicos
4. o valor do direito universal à saúde
5. o valor da liberdade
6. o valor da democracia participativa
7. o valor da igualdade, em todas as dimensões, de direitos dos géneros sexuais
8. o valor da protecção dos concidadãos mais fracos e desprotegidos, designadamente dos velhos e doentes
9. o valor da maior igualdade possível de oportunidades no acesso ao trabalho e ao ensino
10. o valor da livre diferenciação cultural
11. o valor dos direitos legais e sociais mais elementares dos trabalhadores por conta de outrém, parte mais fraca no jogo das forças laborais
12. o direito à prática cultural, religiosa e lúdica livres e diferenciadas
13. o valor da prática científica e do exercício do conhecimento
Adquiridos estes valores e princípios como o núcleo fundamental de uma identidade civilizacional europeia é depois preciso protegê-lo dos ataques de todos os que com ele contendem ou os agridem e é ainda imprescindível que a Europa seja capaz de os fazer inocular no mundo que deles carece. Falo de boa parte da África, mas também falo da Ásia, e de partes da América Latina.
Este é o dilema e a responsabilidade da União Europeia: saber preservar e incrementar a sua identidade histórica, realizar o progresso e trazer paz duradoura ao seu território e ao mundo em geral.
indiferença ou resposta (no Afeganistão)?
"A girl stands near an Afghan army soldier at Shadal village in Khowst province, Afghanistan, December 7, 2009."
foto REUTERS/Zohra Bensemra
o (outro) gigante John Cale
O John Cale é um gigante. Com o Tom Waits, o John Cale é um dos dois gigantes maiores, ainda vivos, que a música popular viu nascer no tempo das nossas vidas. E quando o John não falha - e quase nunca falha - o John sobe tão tão lá acima que é quase impossível seguir o seu brilho. Mas alguns conseguimos, esforçando-nos mais. Então o prémio é de ouro. Como aqui.
quando para a minha mesa as navalhas vieram com arroz
Três homens, três mulheres, três crianças. Na mesa o choco frito e o vinho branco. O assunto era único, só para homens, o futebol e a derrota da véspera do clube da cidade do Sado. Vozes para cá e para lá e de repente lá sai um tonitruante berro que impõe sem remédio um ponto de vista sobre uma dada jogada. "A bola saiu do campo, f...-se. Como é que te ponho isto pelos olhos adentro?" O contendor de tal debate silenciou-se, as mulheres agacharam-se junto do choco frito e as crianças assustaram-se. Num repente, o ameaçador retomou a palavra, "mais uma garrafa de branco para a mesa". Parecia um almoço entre amigos e suas famílias, ou entre familiares até. Parecia, mas na verdade assemelhava-se mais a uma luta de vida ou de morte, pois se quem se calou se não calasse o sangue poderia até ter manchado a toalha branca do D. Paco.
E estava hoje novamente magnífico o arroz de navalhas, os coentros, o azeite e a cozedura no ponto certo.
E estava hoje novamente magnífico o arroz de navalhas, os coentros, o azeite e a cozedura no ponto certo.
eu conheço o Thomas Alan Waits
Conheci o Tom Waits quando? Foi certamente pelo "Heartattack and Vine", em 1980, numa escolha do então "Rock em Stock".
Depois foi a descoberta do que estava antes de 1980, desde o tempo em que o Thomas usava voz menos roufenha, quando era menos Waits.
E quem é afinal o Tom Waits? O Tom é, para muitos, o mais estimulante, o mais rico, o mais ousado e genuíno compositor deste nosso tempo. E é tudo isso ao longo dos 36 anos que leva de publicações.
Ontem o Tom fez 60 anos, e quase todos os que o louvamos sabemos que o próximo álbum será igualmente muito bom, como são todos.
O Tom não teve, não tem, somente esta faceta musical. O Tom foi actor, o Tom foi até construtor. Como em "One From the Heart", o filme que Francis Ford Coppola elevou a maravilha plástica da sétima arte e onde a música do Tom (acompanhado pela voz celestial de Crystal Gayle) se colou imorredouramente.
Em 2009, no momento em que em Portugal se inicia a distribuição do soberbo disco ao vivo "Glitter and Doom", arrisco dizer que o Tom Waits é o maior. Pelo seu legado cultural, não conheço ninguém que o supere. Nem mesmo o grande grande John Cale.
7.12.09
desenhar a paz numa parede, em La Habana
"Children paint a on a wall denouncing violence during a social integration event for children organized by local social workers and artists in the Canal del Cerro neighbourhood in Havana, December 6, 2009."
Foto REUTERS/Stringer
reconstruir
Há momentos na vida em que tudo parece desmoronar-se. Alguns desses momentos são também ocasiões de rearranque. Há então um mundo que cai e outro que se pode levantar. O medo é aí sempre o mesmo, que é saber se depois da tempestade vem mesmo a bonança, ou se o que vem não é outra tempestade, e ainda outra, e mais outra, sem sinais de aí vir a bonança.
6.12.09
porque o futuro pode ser azul
"A demonstrator protests during a climate change march in London, December 5, 2009."
foto REUTERS/Luke MacGregor
5.12.09
uns para os outros
Hoje, no mercado, a pequenina velhota pediu-me ajuda: "olhe, o senhor, dá-me um saquinho se faz favor?" Naturalmente que dei e até lho abri. Demoradamente, começou a seleccionar o pão que queria, primeiro uma qualidade, depois outra. Esperei quanto ela quis. Quando terminou de encher o saco agradeceu, olhou em volta e saiu suportada na minúscula bengala. Nesta vida somos uns para os outros, já dizia a minha avó Teresa
4.12.09
imparidades na paz
"Rabbi Avraham Berkowitz climbs a flight of stairs during a visit with Chairman of Chabad network of international centre Rabbi Yehuda Krinsky (not in picture) inside Nariman House in Mumbai November 25, 2009. Nariman House, home to the Mumbai chapter of the Chabad-Lubavitch Jewish movement, was one of 10 sites attacked by gunmen during a 60-hour siege in the city that began on November 26, 2008."
foto REUTERS/Punit Paranjpe
3.12.09
as suspeitas de Manuela Ferreira Leite
Manuela Ferreira Leite referiu hoje publicamente, de novo, que José Sócrates está sob suspeita, em função das escutas telefónicas em que foi circunstancialmente surpreendido.
A ainda líder do PSD disse isto mesmo depois de duas das três mais altas instâncias judiciais - apenas o presidente do Tribunal Constitucional se não pronunciou - terem entendido e deliberado o contrário.
A conclusão a tirar é que o PSD e a sua liderança não confiam na Justiça portuguesa na sua mais elevada expressão. E com isso ficamos entendidos quanto ao que alguns já caracterizaram como a fase suicidária do partido da alternativa de poder.
A ainda líder do PSD disse isto mesmo depois de duas das três mais altas instâncias judiciais - apenas o presidente do Tribunal Constitucional se não pronunciou - terem entendido e deliberado o contrário.
A conclusão a tirar é que o PSD e a sua liderança não confiam na Justiça portuguesa na sua mais elevada expressão. E com isso ficamos entendidos quanto ao que alguns já caracterizaram como a fase suicidária do partido da alternativa de poder.
1.12.09
o meu barbeiro António
Já aqui falei do meu barbeiro António e da sua sabedoria. Pois hoje havia matizes novas no discurso. Falou-me de mudanças culturais da nossa sociedade, de um novo paradigma que afectará o estar de todos com todos, e que ele correlacionou com a crise económica.
E onde fazia o barbeiro António assentar as suas reflexões? Numa sua recente relação "afecto-sexual" de onde derivou uma extorsão de 2000 euros. E lá foi tudo parar ao tribunal.
E que miséria esta a de um homem que num repente viu consumir-se o equivalente a 200 cortes de cabelo. Como poderia ele depois disso vangloriar-se do estado da civilização?
E onde fazia o barbeiro António assentar as suas reflexões? Numa sua recente relação "afecto-sexual" de onde derivou uma extorsão de 2000 euros. E lá foi tudo parar ao tribunal.
E que miséria esta a de um homem que num repente viu consumir-se o equivalente a 200 cortes de cabelo. Como poderia ele depois disso vangloriar-se do estado da civilização?
ainda o Tratado de Lisboa
Ironicamente, num dia em que muitos portugueses vestem um certo anti-espanholismo, Lisboa dá voz ao arranque de um novo ciclo da construção europeia, com a cerimónia que assinala a entrada em vigor do Tratado de Lisboa. E foi muito interessante que tenha sido Rodriguez Zapatero, o presidente do Conselho espanhol, a fazer o melhor discurso da noite.
"A Criação" de Joseph Haydn: porque Dezembro é o mês do Natal
(excerto, com condução Sir William Christie e do conjunto vocal-orquestral Les Arts Florissants)
há 5 anos suspeitei da minha ancestralidade espanhola
Há cinco anos decidi ir vasculhar nas trevas da história da minha família. Fui a norte descobrir mais sobre os Machado e a sul mais sobre os Reis.
Tive sucesso, a tal ponto que todo o adquirido que até então estava para mim arrumado e certo a partir de então ficou desatado e aberto como não imaginara antes possível.
Se fosse um romance teria sido apenas um começo.
E porquê falar hoje nesta desconcertação da minha memória? Porque hoje muitos, como o excelente Rui Crull Tabosa, celebram a separação, a ruptura, o antagonismo com Espanha e o orgulhoso devir português posterior ao século XVII.
Ora eu descobri em 2004 que um século e meio antes os meus Machado podem ter chegado a Vila Pouca de Aguiar provindos das Astúrias, terras de várias famílias assim chamadas.
Falta-me ainda a consulta de outros registos que situem melhor de onde vieram, quando chegaram, quantos e quem eram esses espanhóis migrantes, esses tetravôs e seus filhos.
Mas hoje, dia da restauração da independência de Portugal, nem deveria ser feriado. A separação violenta com Espanha não apaga os laços, a herança cultural comum, a incrível similitude linguística, as famílias, as contiguidades de fronteira, de paisagem e de território.
Hoje apetece-me celebrar a espanholidade que há em mim, que há em nós. E apetece-me convocar o grande poeta que leva o mesmo nome que eu, nascido em Sevilha, António Machado.
Tive sucesso, a tal ponto que todo o adquirido que até então estava para mim arrumado e certo a partir de então ficou desatado e aberto como não imaginara antes possível.
Se fosse um romance teria sido apenas um começo.
E porquê falar hoje nesta desconcertação da minha memória? Porque hoje muitos, como o excelente Rui Crull Tabosa, celebram a separação, a ruptura, o antagonismo com Espanha e o orgulhoso devir português posterior ao século XVII.
Ora eu descobri em 2004 que um século e meio antes os meus Machado podem ter chegado a Vila Pouca de Aguiar provindos das Astúrias, terras de várias famílias assim chamadas.
Falta-me ainda a consulta de outros registos que situem melhor de onde vieram, quando chegaram, quantos e quem eram esses espanhóis migrantes, esses tetravôs e seus filhos.
Mas hoje, dia da restauração da independência de Portugal, nem deveria ser feriado. A separação violenta com Espanha não apaga os laços, a herança cultural comum, a incrível similitude linguística, as famílias, as contiguidades de fronteira, de paisagem e de território.
Hoje apetece-me celebrar a espanholidade que há em mim, que há em nós. E apetece-me convocar o grande poeta que leva o mesmo nome que eu, nascido em Sevilha, António Machado.
as palavras sentidas do Rui Crull Tabosa
"Haja estirpe!
Para muitos o dia de hoje é apenas mais um feriado.
Para outros é também o fim de uma ponte.
Para mim é Dia da Restauração.
É dia de celebrar Portugal.
É dia de recordar os Heróis que, naquela manhã de 1.º de Dezembro de 1640, libertaram Portugal do jugo dos Áustrias.
Não me interessa agora a geopolítica, as razões de conjuntura doméstica ou internacional ou os interesses económicos, sociais ou de outra índole que sempre terão concorrido para aquele feliz desenlace.
Sem sangue não seriam nada.
Por isso me interessa apenas que sou Português (...)"
(clicar aqui para ler a versão integral)
hoje, no 31 da Armada
Para muitos o dia de hoje é apenas mais um feriado.
Para outros é também o fim de uma ponte.
Para mim é Dia da Restauração.
É dia de celebrar Portugal.
É dia de recordar os Heróis que, naquela manhã de 1.º de Dezembro de 1640, libertaram Portugal do jugo dos Áustrias.
Não me interessa agora a geopolítica, as razões de conjuntura doméstica ou internacional ou os interesses económicos, sociais ou de outra índole que sempre terão concorrido para aquele feliz desenlace.
Sem sangue não seriam nada.
Por isso me interessa apenas que sou Português (...)"
(clicar aqui para ler a versão integral)
hoje, no 31 da Armada
a caminho de uma Europa melhor para todos
"Nasce hoje uma UE diferente com a assinatura dos 27
Uma UE diferente da actual vai emergir a partir de hoje com a entrada em vigor do Tratado de Lisboa, que vai reger a vida das instituições comunitárias por longos anos."
Uma UE diferente da actual vai emergir a partir de hoje com a entrada em vigor do Tratado de Lisboa, que vai reger a vida das instituições comunitárias por longos anos."
dos efeitos das amizades perigosas
Parece que o amigo José Sócrates recomendou ao amigo Chávez que se comportasse convenientemente na cimeira ibero-americana de Lisboa. Em resposta Chávez terá mandado o PM português "passear" e recusou vir a Lisboa. Não se sabe se em solidariedade ou não, o ditadorzeco cubano Raul Castro decidiu também não vir. E Lisboa ficou assim duplamente mais respirável por estes dias.
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