Parece que morreu o senhor Fernando, o bom velhote da drogaria da rua da Lapa.
Era eu petiz e já ia lá buscar artigos variados, como se ali estivesse um moderno bazar chinês. E em certa medida a drogaria lisboeta de há 30 anos era um bazar urbano de proximidade, como hoje são os tão úteis bazares chineses.
Já nada petiz, estive por lá a última vez há 2 anos. Não me reconheceu.
Perguntei por histórias de antanho e lá repetiu episódios que me dissera já mais de uma dezena de vezes. Foi-me grato ainda assim ouvi-lo e sentir que, descontada a antiguidade biológica, de dentro da sua bata branca e dos seus óculos de massa, o senhor Fernando continuava a ser o que sempre fôra, um vivo e interessantíssimo depositório de utilidades, conveniências e histórias vivas.
Era o senhor Fernando um ícone de uma certa Lisboa. Que já quase não há.