sexta-feira, 10 de Julho de 2009

as palavras duradouras do João Pinto e Castro

"(...) É absurdo basear-se uma estratégia para o país na enumeração de vulnerabilidades. Uma estratégia constrói-se a partir de oportunidades, forças, capacidades, competências e recursos existentes. O que quer que venhamos a fazer resultará decerto da potenciação daquilo que de positivo já existe ou está a emergir. Todavia, os subscritores do Manifesto do 28 parecem só conhecer o país através da Contabilidade Nacional. (...)

Pede o Manifesto dos 28 que o programa de investimentos públicos seja submetido ao escrutínio de um painel de técnicos independentes. Ora a avaliação custo-benefício, exigida por pessoas que nunca a ela recorreram quando desempenharam cargos governativos de relevo, implica a atribuição de valores monetários a coisas que não têm um preço, como sejam a vida humana ou a protecção do ambiente. Logo, tem implícitas preferências de todo o género, a que em rigor só se pode chamar prioridades políticas. Por que deveremos nós delegar num grupo de alegadas sumidades uma tal responsabilidade?

O receio de decidir e agir é um traço de personalidade associado à improdutividade. Os autores do Manifesto justificam a inacção com a necessidade de se pensar melhor sobre o assunto, mas, pela amostra, a qualidade da reflexão também não se recomenda."


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