"A única coisa de que podemos estar certos acerca de 2008 é que a sua história foi muito mal contada."
Rui Ramos, hoje, no PÚBLICO
"A fractura que o Estatuto dos Açores abriu entre Belém e São Bento é uma espécie de quilómetro zero de uma longa caminhada de azedume político."
Eduardo Dâmaso, hoje, no CORREIO DA MANHÃ
Citados dois optimistas, ficam os nossos votos que 2009 comece bem e acabe muito melhor ainda. Sobretudo para os que estão no Café e para todos os que aqui passarem com intenções de bem. Tchim tchim.
31.12.08
30.12.08
Menezes é que era, senhor Presidente. Já a Manuela...
"Luís Filipe Menezes diz ter garantido a Cavaco que o PSD não aprovaria o Estatuto dos Açores."
in PÚBLICO on line
in PÚBLICO on line
Israel: centenas de milhares em abrigos; Gaza: centenas de mortes, milhares de feridos
"Palestinian demonstrators take cover from tear gas fired by Israeli soldiers during a protest in the West Bank city of Hebron against the Israeli offensive in Gaza December 29, 2008."foto REUTERS/Nayef Hashlamoun
um rosto de dúvida?

"An Iranian woman takes part in an anti-Israel rally in Tehran in support of the Palestinians in Gaza, December 29, 2008."
foto REUTERS/Morteza Nikoubazl
29.12.08
o verdadeiro entorse democrático
Se há entorse democrático nesta inaudita dramatização do "caso dos Açores" é a sua elevação a questão central nacional pelo Presidente da República.
Menos ainda é aceitável que Cavaco Silva tenha feito a menorização pública de todos os eleitos parlamentares e da instituição democrática por excelência que é a Assembleia da República, referindo-se-lhes em "prime time" como se os parlamentares fossem um bando de irresponsáveis (defendendo "interesses partidários de ocasião", alegou). E a revotação na Assembleia colheu dois terços, é bom lembrar.
E é sempre importante recordar também que, numa democracia, todas as instituições democraticamente eleitas detêm igual respeitabilidade institucional.
Ora, o Presidente Cavaco Silva não mostrou, na sua alocução de hoje, estar ao nível da respeitabilidade pública mínima que a instituição parlamentar lhe deveria merecer. Isso sim é deslealdade.
O que nos remete para uma antiga convicção de alguns, que Cavaco Silva convive com dificuldade com a divergência e o debate próprios das democracias.
Menos ainda é aceitável que Cavaco Silva tenha feito a menorização pública de todos os eleitos parlamentares e da instituição democrática por excelência que é a Assembleia da República, referindo-se-lhes em "prime time" como se os parlamentares fossem um bando de irresponsáveis (defendendo "interesses partidários de ocasião", alegou). E a revotação na Assembleia colheu dois terços, é bom lembrar.
E é sempre importante recordar também que, numa democracia, todas as instituições democraticamente eleitas detêm igual respeitabilidade institucional.
Ora, o Presidente Cavaco Silva não mostrou, na sua alocução de hoje, estar ao nível da respeitabilidade pública mínima que a instituição parlamentar lhe deveria merecer. Isso sim é deslealdade.
O que nos remete para uma antiga convicção de alguns, que Cavaco Silva convive com dificuldade com a divergência e o debate próprios das democracias.
28.12.08
a guerra é a guerra (não é Aníbal?)
"Cavaco Silva tem dúvidas sobre rigor do Orçamento do Estado para 2009"
título do PÚBLICO on line
título do PÚBLICO on line
ainda o chumbo pelo Tribunal Constitucional da norma dos 180 dias "à experiência"
Tem absoluta razão e a máxima clarividência a nota deixada por Daniel Oliveira, no "Eixo do Mal", na SIC Notícias, de que o Governo PS procurou legislar em sentido ao arrepio do adquirido legislativo e até filosófico (acrescento eu) do século XX: na relação entre empregado e empregador a lei deve proteger sempre a parte mais fraca.
Se o Governo PS procura um novo equilíbrio que incremente o emprego, então que o encontre de outro modo, ou que se substitua às empresas na securização de direitos e regalias assim postos em causa. Isto se é que acha ser esse o seu papel numa sociedade não estatizada. E creio que não é mesmo.
É por estas e por outras que a Direita tem no PS de Sócrates uma boa opção de voto em 2009. E a Manuela que se cuide e não se distraia: se aspirar a sobreviver, ou se desloca ainda mais para a Direita, ou ultrapassa o PS pela Esquerda. Ele há cada uma...
Se o Governo PS procura um novo equilíbrio que incremente o emprego, então que o encontre de outro modo, ou que se substitua às empresas na securização de direitos e regalias assim postos em causa. Isto se é que acha ser esse o seu papel numa sociedade não estatizada. E creio que não é mesmo.
É por estas e por outras que a Direita tem no PS de Sócrates uma boa opção de voto em 2009. E a Manuela que se cuide e não se distraia: se aspirar a sobreviver, ou se desloca ainda mais para a Direita, ou ultrapassa o PS pela Esquerda. Ele há cada uma...
os votos sábios do António Barreto
"Não vale a pena ter esperanças desmedidas para 2009. Mas pode formular-se votos modestos."
in PÚBLICO de hoje
in PÚBLICO de hoje
a propósito do "sequestro" de uma professora no Porto
Ferreira Fernandes, em coluna de opinião no DN, recolocava ontem o triste episódio dos jovens quase adultos que, alegadamente, fingiram um sequestro a uma professora em plena sala de aulas.
Escreveu ele que o ponto não está, como referirão associações de pais e outros, na posse, filmagem e divulgação de imagens por telemóveis, mas na violência em si.
É obviamente assim.
O que não se pode é esquecer que os telemóveis que filmam são hoje, de facto, uma arma tremenda na motivação dramática de todos os jovens. A motivação deste tipo de violência é alimentar o "voyeurismo", cultivar o vedetismo de jovens e encontrar afinal novos focos de diversão pública, novos ingredientes de vaidade.
Não sei se neste caso o telemóvel é o ovo ou a galinha. Sei que, se se concluir que os telemóveis são um instrumento impulsionador da violência, então há que bani-los da sala de aulas.
Mas essa já é matéria para os especialistas, primeiro determinar se esse papel existe, depois descobrir como fazer o odioso, agir como se o telemóvel fosse o problema e não a consequência.
Não é assim tão fácil ó Ferreira Fernandes.
Escreveu ele que o ponto não está, como referirão associações de pais e outros, na posse, filmagem e divulgação de imagens por telemóveis, mas na violência em si.
É obviamente assim.
O que não se pode é esquecer que os telemóveis que filmam são hoje, de facto, uma arma tremenda na motivação dramática de todos os jovens. A motivação deste tipo de violência é alimentar o "voyeurismo", cultivar o vedetismo de jovens e encontrar afinal novos focos de diversão pública, novos ingredientes de vaidade.
Não sei se neste caso o telemóvel é o ovo ou a galinha. Sei que, se se concluir que os telemóveis são um instrumento impulsionador da violência, então há que bani-los da sala de aulas.
Mas essa já é matéria para os especialistas, primeiro determinar se esse papel existe, depois descobrir como fazer o odioso, agir como se o telemóvel fosse o problema e não a consequência.
Não é assim tão fácil ó Ferreira Fernandes.
27.12.08
uma insustentável desproporcionalidade
Claro que os terroristas medievais do Hamas começaram a provocação, levantando há pouco mais de uma semana a "trégua de guerra" com Israel.
Claro que os "rockets" disparados ontem sobre "kibutz" de colonos constituiram uma intolerável provocação.
E também é óbvio que nunca se saberá até que ponto tem Israel a razão quando diz que quase todos os mortos que provocou esta manhã em Gaza são de guerrilheiros do Hamas.
Mas é crítico fixar-se os números deste embate entre um bando terrorista e um estado militarizado: pelo menos 208 mortes em Gaza; um morto em Israel.
Não reclamo a mera culpabilização de Israel, que não é inocente e não pode justificar tão desproporcional e devastadora resposta. Reclamo do mundo, da minha Europa, que concorra com força, determinação e visão para que de uma vez se imponha paz tal que traga a segurança, a prosperidade e a liberdade para todos nos territórios de Israel e da Palestina.
Como alguém sabiamente escrevia, por culpa de Barack Obama, talvez nunca um ano tenha antes acabado em tão grande crise, ao mesmo tempo que paira uma tão grande e necessária esperança.
Claro que os "rockets" disparados ontem sobre "kibutz" de colonos constituiram uma intolerável provocação.
E também é óbvio que nunca se saberá até que ponto tem Israel a razão quando diz que quase todos os mortos que provocou esta manhã em Gaza são de guerrilheiros do Hamas.
Mas é crítico fixar-se os números deste embate entre um bando terrorista e um estado militarizado: pelo menos 208 mortes em Gaza; um morto em Israel.
Não reclamo a mera culpabilização de Israel, que não é inocente e não pode justificar tão desproporcional e devastadora resposta. Reclamo do mundo, da minha Europa, que concorra com força, determinação e visão para que de uma vez se imponha paz tal que traga a segurança, a prosperidade e a liberdade para todos nos territórios de Israel e da Palestina.
Como alguém sabiamente escrevia, por culpa de Barack Obama, talvez nunca um ano tenha antes acabado em tão grande crise, ao mesmo tempo que paira uma tão grande e necessária esperança.
a saga da Sofia e do Simão
Já tenho vergonha de andar a pilhar as histórias maravilhosas da Sofia Bragança Buchholz e do seu sobrinho Simão.
Apareceu mais uma ontem, "Simão, o deserdado", aventura passada numa loja de brinquedos em tempo de Natal.
Um dia a Sofia há-de ter de publicar toda esta fascinante saga num livrito.
Mas enquanto não há palavras no papel, fica o dever lúdico de se visitar diariamente o grande 31 da Armada, também o lugar do Rodrigo Moita de Deus, outro notável frequentador habitual aqui do Café.
Apareceu mais uma ontem, "Simão, o deserdado", aventura passada numa loja de brinquedos em tempo de Natal.
Um dia a Sofia há-de ter de publicar toda esta fascinante saga num livrito.
Mas enquanto não há palavras no papel, fica o dever lúdico de se visitar diariamente o grande 31 da Armada, também o lugar do Rodrigo Moita de Deus, outro notável frequentador habitual aqui do Café.
26.12.08
apoplexias de Natal
Na Guiné-Conacri um bando de militares rebeldes aproveitou a morte do Presidente da República (que ainda há meses pedia para ser aceite na CPLP) para tomar o poder e decretar o óbito do regime vigente, designadamente através do habitual levantamento da Constituição e demissão do Governo. Como é costume nestes casos, sobretudo em África, a acusação de corrupção serviu de máscara e valerá para tudo, até para que um conjunto de delinquentes ganhe o palácio e se dê a si próprio 2 anos para saquear e, se necessário, todos os discordantes matar.
A "comunidade internacional" protestou.
No Zimbabwe, o velho criminoso Mugabe decretou o fim da cólera em alocução pública, no momento preciso em que esta doença dos lugares de miséria parece até galopar, como denotam vários indicadores das organizações internacionais de saúde e assistência.
Não bastava que este homem e o seu regime dilacerassem a liberdade, a segurança, a economia, o bem estar mais elementar dos seus concidadãos. Agora até a morte parece servir de diversão para um louco no poder.
Sobre o que se passa no infeliz Zimbabwe até parece que a "comunidade internacional" já nem protesta. Acha talvez que nem isso vale a pena.
A "comunidade internacional" protestou.
No Zimbabwe, o velho criminoso Mugabe decretou o fim da cólera em alocução pública, no momento preciso em que esta doença dos lugares de miséria parece até galopar, como denotam vários indicadores das organizações internacionais de saúde e assistência.
Não bastava que este homem e o seu regime dilacerassem a liberdade, a segurança, a economia, o bem estar mais elementar dos seus concidadãos. Agora até a morte parece servir de diversão para um louco no poder.
Sobre o que se passa no infeliz Zimbabwe até parece que a "comunidade internacional" já nem protesta. Acha talvez que nem isso vale a pena.
as palavras pouco "enquadradas" de um céptico
"2009 será um dos piores anos da história económica de Portugal e o pior desde a implantação da democracia"
José Miguel Júdice, no PÚBLICO de hoje
José Miguel Júdice, no PÚBLICO de hoje
as homilias de fim de ano
Não entendo a que pretexto transmitem as televisões estas homilias de fim de ano. Costuma falar primeiro o Bispo de Lisboa, em discurso moral. Vem depois o Primeiro-Ministro, em esforço mais pagão, visando a
consciencialização cívica. Dentro de dias aparecerá o Presidente da República, em tom meloso e pretensamente coesionador da pátria.
Na verdade, embora me pareça que a vinda de todos a minha casa nestas noites de festas seria desnecessária, é abusiva da paciência pública e até ofende um certo decoro mínimo (republicano?) que há muito prezo, de todos eles aquele que sempre mais me interessou escutar foi o Bispo/Cardeal, mas apenas desde que D. José Policarpo ascendeu ao lugar.
D. José Policarpo tem uma estatura intelectual que creio nunca ter sido vista no bispado em Portugal. Mas tem também uma economia de palavras que consegue concitar a atenção e o respeito até de um não crente como eu. Mesmo quando não concordo, como sucedeu novamente este ano.
E não se poderá dizer do Bispo de Lisboa que ele, ao contrário dos outros, não vai a votos, por isso podendo ser menos populista. No caso de D. José, que me recorde, nas últimas duas vezes que foi a votos até perdeu: primeiro para Bispo de Roma, derrotado por Monsenhor Ratzinger; depois para líder da Conferência Episcopal portuguesa, perdedor aí para um qualquer Bispo mais meridiano.
Mas ouvir falar D. José Policarpo é, tem de se dizer, um privilégio raro.
consciencialização cívica. Dentro de dias aparecerá o Presidente da República, em tom meloso e pretensamente coesionador da pátria.Na verdade, embora me pareça que a vinda de todos a minha casa nestas noites de festas seria desnecessária, é abusiva da paciência pública e até ofende um certo decoro mínimo (republicano?) que há muito prezo, de todos eles aquele que sempre mais me interessou escutar foi o Bispo/Cardeal, mas apenas desde que D. José Policarpo ascendeu ao lugar.
D. José Policarpo tem uma estatura intelectual que creio nunca ter sido vista no bispado em Portugal. Mas tem também uma economia de palavras que consegue concitar a atenção e o respeito até de um não crente como eu. Mesmo quando não concordo, como sucedeu novamente este ano.
E não se poderá dizer do Bispo de Lisboa que ele, ao contrário dos outros, não vai a votos, por isso podendo ser menos populista. No caso de D. José, que me recorde, nas últimas duas vezes que foi a votos até perdeu: primeiro para Bispo de Roma, derrotado por Monsenhor Ratzinger; depois para líder da Conferência Episcopal portuguesa, perdedor aí para um qualquer Bispo mais meridiano.
Mas ouvir falar D. José Policarpo é, tem de se dizer, um privilégio raro.
25.12.08
hoje lembrei-me do Alfredo Lopes

O Alfredo Lopes era de Cabo Verde. Seria uns 20 anos mais velho que eu. Era franzino, tinha um cabelo em carapinha, farto e já grizalho, e eu conheci-o sempre doente, sempre dependente do álcool, consumido sem regra e desacompanhado de cuidados e de comida.
Como qualquer africano, o Alfredo amava a música e descobriu no puto que eu era há uns 25 anos alguém interessado nos sons do seu país, mas também na cultura e ainda mais nas gentes concretas que ele e eu conhecíamos em comum, todos também do pequeno arquipélago ocidental africano, no Zé, no João, no Joaquim, no Pedro, no Pina.
A vida de todos eles era difícil em Lisboa, sempre sujeita aos piores trabalhos, aos mais baixos salários e às mais estúpidas piadas dos que, dizendo-se nada racistas, ainda assim parodiavam os "pretos".
Ao contrário do João, atlético, vigoroso, temido, o Alfredo era provocável, por parecer débil e inofensivo. E de facto o Alfredo reagia às provocações racistas sempre com um sorriso, procurando desarmar e reconciliar-se com quem nem cuidava de sentir que a cor da pele é nada se comparada com a grandeza de cada um. E o Alfredo era muitíssimo melhor que quase todos os que com ele conviviam.
Pouco antes de morrer, o Alfredo ofereceu-me um disco velho do Bana, o "Solidão", já muito picado, onde estava uma canção que ele sabia que eu adorava, a "Tchadinha". Na Lisboa de 1983 o Bana era o gigante da música do seu país, tornado embaixador em Portugal, com "discoteca" perto do Rato, a 10 minutos da minha casa.
Terá morrido o Alfredo uns 2 meses depois, aí pelos seus 46 anos de idade.
O funeral foi triste, muito choroso e com as inevitáveis mornas tocadas com grande sentimento no instante anterior à entrega do corpo do Alfredo à terra. Creio que também chorei.
Anos mais tarde falei com o Bana, já bem velho então, para lhe pedir um favor, se numa das suas edições discográficas seguintes me fazia o favor de voltar a gravar a "Tchadinha".
Mas, gosta mesmo da "Tchadinha"? Que sim, respondi, e que além disso essa canção me ligava a um amigo e seu conterrâneo que partira.
Com a sua voz inesquecível o Bana respondeu-me que ia pensar nisso e que provavelmente voltaria a gravá-la sim senhor.
Os anos passaram e creio que nunca cumpriu a promessa. Ainda hoje, sempre que passo nas secções de música africana, lá vou eu espreitar os discos do Adriano Gonçalves/Bana e nada.
E porque me lembrei hoje do Alfredo? Talvez porque me ressurgiu na memória uma frase típica com que ele combatia os seus momentos de maior sofrimento, de angústia, de saudade, de decepção, de desânimo. No seu português difícil e acrioulado o Alfredo costumava dizer-me "Vítor, a lota continua". Pois continua, ainda hoje, Alfredo. Que sodade.
24.12.08
uma história de Natal da Sofia
"Simão e o Natal
Personagens:
• Simão
• Eu
Cenário:
No início do mês de Dezembro, dei ao Simão e ao Tomás um calendário de Natal. Para quem não sabe, este é, assim, uma espécie de “amortizador de ansiedade” da miudagem, constituído por 24 janelinhas, cada uma das quais com um chocolate dentro, que se vai retirando, um de cada vez, claro, todos os dias, até 24 de Dezembro, dia esse, em que as crianças terão direito, então, ao tal presente a sério, o tão, ansiosamente, esperado. Contudo, o Simão não resistiu e alguns dias depois foi apanhado pela mãe a lambuzar-se com o vigésimo quarto chocolate.
Quando soube, eu, a gozar, mas num tom sério a armar-me em moralista, repreendi-o:
Acção:
– Comeste os vinte e quatro chocolates todos de uma vez?! Que vergonha, Simão! Que vergonha!...
E ele, com um sorriso meio atrapalhado, mas com a maior das latas:
– Então, o Natal não é quando um homem quiser?!"
in 31 da Armada, por Sofia de Bragança Buchholz, ontem
Personagens:
• Simão
• Eu
Cenário:
No início do mês de Dezembro, dei ao Simão e ao Tomás um calendário de Natal. Para quem não sabe, este é, assim, uma espécie de “amortizador de ansiedade” da miudagem, constituído por 24 janelinhas, cada uma das quais com um chocolate dentro, que se vai retirando, um de cada vez, claro, todos os dias, até 24 de Dezembro, dia esse, em que as crianças terão direito, então, ao tal presente a sério, o tão, ansiosamente, esperado. Contudo, o Simão não resistiu e alguns dias depois foi apanhado pela mãe a lambuzar-se com o vigésimo quarto chocolate.
Quando soube, eu, a gozar, mas num tom sério a armar-me em moralista, repreendi-o:
Acção:
– Comeste os vinte e quatro chocolates todos de uma vez?! Que vergonha, Simão! Que vergonha!...
E ele, com um sorriso meio atrapalhado, mas com a maior das latas:
– Então, o Natal não é quando um homem quiser?!"
in 31 da Armada, por Sofia de Bragança Buchholz, ontem
Natal é ...

Comprar um jornal de 90 cêntimos no quiosque onde só vou uma vez por mês e ser-me ainda assim oferecida uma fatia de bolo-rei, acompanhada de um belo sorriso e de palavras bem quentes, logo pelas 8 da manhã.
o espectro da mentira
A unanimidade do Tribunal Constitucional na rejeição à norma do novo Código de Trabalho, em que pretendia o Governo alargar de 90 para 180 dias o período experimental dos trabalhadores sempre que num novo emprego, despojados de boa parte dos seus direitos mais básicos, demonstra bem duas coisas, qual delas a mais importante: que o sistema democrático tem equilíbrios suficientes para a prevenção de entorses constitucionais, tratando-se de diploma legislativo; que o Governo está muito mal assessorado do ponto de vista jurídico-constitucional.
Mas mais preocupante mesmo é que um Ministro de alegada tradição socialista, figura da ala esquerda do PS, do ferrismo (de Ferro Rodrigues), se proponha adoptar para a sociedade uma norma que, de tão perversa, até o CDS rejeita. E depois bem pode dizer Vieira da Silva que aquela não era uma norma central e que por isso importaria pouco a rejeição do TC. É preciso lata.
Mas mais preocupante mesmo é que um Ministro de alegada tradição socialista, figura da ala esquerda do PS, do ferrismo (de Ferro Rodrigues), se proponha adoptar para a sociedade uma norma que, de tão perversa, até o CDS rejeita. E depois bem pode dizer Vieira da Silva que aquela não era uma norma central e que por isso importaria pouco a rejeição do TC. É preciso lata.
22.12.08
um diferente José Pacheco Pereira
José Pacheco Pereira esteve quase bem na entrevista deste fim-de-semana (Rádio Renascença/RTP2/PÚBLICO), quando confirmava a sua oposição à indigitação de Pedro Santana Lopes para a candidatura do PSD a Lisboa. 
Foi coerente na argumentação, não escondeu o essencial da sua divergência, mostrou que extrairá consequências, recusando-se até a votar em Lisboa.
Mas em um aspecto Pacheco Pereira "borrou a pintura". Foi quando procurou justificar/desculpar Manuela Ferreira Leite, ao sustentar que, provavelmente, a desistência desta face a Santana se deveu à necessidade de "não comprar as guerras todas". Dito de outro modo, Manuela lá toleraria Pedro porque tem guerras mais importantes para travar e tem de escolher aquelas que mais contam, porque não tem forças para todas.
Ora, tratando-se este do primeiro sinal revelado publicamente quanto à estratégia política de 2009 do seu partido, tratando-se da câmara municipal da capital do país, tratando-se de escolher ou rejeitar o personagem que simbolizou tudo o que no PSD fez divergência ética, estética e só depois política entre personalidades, de um lado gente de qualidade, "apresentável", politicamente respeitável, do outro populistas frágeis, tacticistas puros, demagogos de primeira e segunda linha, fracos aspirantes à governação, considerando tudo isto nunca seria batalha menor dizer aqui que não a Pedro Santana Lopes. Teria sido antes uma forte afirmação de princípios.
Foi um momento de semi-verdade este em que José Pacheco Pereira escamoteou o sentido de abdicação da escolha da presidente do PSD.
Porque teve de ceder também ele, homem de grande pensamento e político absolutamente superior, aos ditames do populismo e da facilidade? Em nome da amizade com Manuela Ferreira Leite e Rui Rio? E o interesse público, onde fica ele?

Foi coerente na argumentação, não escondeu o essencial da sua divergência, mostrou que extrairá consequências, recusando-se até a votar em Lisboa.
Mas em um aspecto Pacheco Pereira "borrou a pintura". Foi quando procurou justificar/desculpar Manuela Ferreira Leite, ao sustentar que, provavelmente, a desistência desta face a Santana se deveu à necessidade de "não comprar as guerras todas". Dito de outro modo, Manuela lá toleraria Pedro porque tem guerras mais importantes para travar e tem de escolher aquelas que mais contam, porque não tem forças para todas.
Ora, tratando-se este do primeiro sinal revelado publicamente quanto à estratégia política de 2009 do seu partido, tratando-se da câmara municipal da capital do país, tratando-se de escolher ou rejeitar o personagem que simbolizou tudo o que no PSD fez divergência ética, estética e só depois política entre personalidades, de um lado gente de qualidade, "apresentável", politicamente respeitável, do outro populistas frágeis, tacticistas puros, demagogos de primeira e segunda linha, fracos aspirantes à governação, considerando tudo isto nunca seria batalha menor dizer aqui que não a Pedro Santana Lopes. Teria sido antes uma forte afirmação de princípios.
Foi um momento de semi-verdade este em que José Pacheco Pereira escamoteou o sentido de abdicação da escolha da presidente do PSD.
Porque teve de ceder também ele, homem de grande pensamento e político absolutamente superior, aos ditames do populismo e da facilidade? Em nome da amizade com Manuela Ferreira Leite e Rui Rio? E o interesse público, onde fica ele?
Alianças
Tem aquele nome um dos blogues mais promissores dos últimos tempos.
E não o digo somente porque lá mora o meu amigo Simão Martins, que é senhor de uma assinalável qualidade literata e de muito significativa sensibilidade cultural.
Entre outros, com o Simão está ainda o Fábio Matos Cruz, homem que com um só texto já provou ser capaz de fazer coisas saborosamente cinemáticas.
O "Alianças" passa por isso a estar nas ligações em dia, aqui à direita, para seguir todos os dias.
E não o digo somente porque lá mora o meu amigo Simão Martins, que é senhor de uma assinalável qualidade literata e de muito significativa sensibilidade cultural.
Entre outros, com o Simão está ainda o Fábio Matos Cruz, homem que com um só texto já provou ser capaz de fazer coisas saborosamente cinemáticas.
O "Alianças" passa por isso a estar nas ligações em dia, aqui à direita, para seguir todos os dias.
21.12.08
opiniões de quem conta
"O critério de vida é vencer, o que significa derrotar e liquidar os outros. Quem vence tem razão porque vence"
citação de António Barreto (sociólogo, entre outras capacidades) hoje, no PÚBLICO
citação de António Barreto (sociólogo, entre outras capacidades) hoje, no PÚBLICO
20.12.08
esta manhã no shopping do Cacém
No café dependurava-se hoje uma imagem da Nossa Sª de Fátima, com cerca de 1 metro de alto.
Um cavalheiro angolano abriu há cerca de 1 ano uma "consertadoria" de roupa, com manifesta especialidade em trajes africanos femininos, sempre amplos, rodados e coloridos. Hoje estava em grande azáfama, com várias senhoras esperando à porta. Perguntei se poderia fotografar três belíssimos vestidos alinhados numa corda de roupa, esperando sabe-se lá o quê? Para quê? Não!
Ao lado, no mini-mercado onde compro sempre o pão, um jovem brasileiro perdera a habitual compostura fria e silenciosa, para pôr um sorriso, uns sonoros votos de Boas Festas e oferecer um par de sandálias pindéricas, com garrida inscrição publicitária. Não quis ser mal-criado e lá as aceitei. Pode-se levar a mal a verdade, sobretudo no Natal.
Uma senhora nos seus 70 anos passeava-se pela peixaria, exibindo poderoso penteado louro. Umas duas vezes por minuto lá remexia a garbosa franja.
Homem pouco versado em culinária, tive de perguntar à empregada da frutaria se a couve em que pegara eram grelos de nabo. Riu-se abertamente e olhou outras duas colegas, que consigo gozaram fartamente a minha dúvida. Claro que são grelos de nabo. Agradeci ainda assim a confirmação.
Dois reformados despedem-se desejando-se votos de Bom Natal. Como que recobrando discernimento, um deles vira-se para o outro e lá concluiu que tinham dito parvoíce, pois até lá ainda se veriam umas 10 vezes. Riram-se depois alegremente da extemporaneidade dos votos.
Na papelaria dois empregados entretinham-se na demolição profissional de uma terceira colega, naturalmente ausente. O facto de um cliente habitual escutar a maledicência, em nada parecia demovê-los e apenas para lhe referir quanto custavam os 3 jornais a empregada presente se lhe dirigiu. Compensou a falha com um olhar guloso e carnívoro, táctica comercial sedutória que é razão aliás da infalibilidade da minha visita das dez da manhã de todos os sábados ao shopping do Cacém.
Um cavalheiro angolano abriu há cerca de 1 ano uma "consertadoria" de roupa, com manifesta especialidade em trajes africanos femininos, sempre amplos, rodados e coloridos. Hoje estava em grande azáfama, com várias senhoras esperando à porta. Perguntei se poderia fotografar três belíssimos vestidos alinhados numa corda de roupa, esperando sabe-se lá o quê? Para quê? Não!
Ao lado, no mini-mercado onde compro sempre o pão, um jovem brasileiro perdera a habitual compostura fria e silenciosa, para pôr um sorriso, uns sonoros votos de Boas Festas e oferecer um par de sandálias pindéricas, com garrida inscrição publicitária. Não quis ser mal-criado e lá as aceitei. Pode-se levar a mal a verdade, sobretudo no Natal.
Uma senhora nos seus 70 anos passeava-se pela peixaria, exibindo poderoso penteado louro. Umas duas vezes por minuto lá remexia a garbosa franja.
Homem pouco versado em culinária, tive de perguntar à empregada da frutaria se a couve em que pegara eram grelos de nabo. Riu-se abertamente e olhou outras duas colegas, que consigo gozaram fartamente a minha dúvida. Claro que são grelos de nabo. Agradeci ainda assim a confirmação.
Dois reformados despedem-se desejando-se votos de Bom Natal. Como que recobrando discernimento, um deles vira-se para o outro e lá concluiu que tinham dito parvoíce, pois até lá ainda se veriam umas 10 vezes. Riram-se depois alegremente da extemporaneidade dos votos.
Na papelaria dois empregados entretinham-se na demolição profissional de uma terceira colega, naturalmente ausente. O facto de um cliente habitual escutar a maledicência, em nada parecia demovê-los e apenas para lhe referir quanto custavam os 3 jornais a empregada presente se lhe dirigiu. Compensou a falha com um olhar guloso e carnívoro, táctica comercial sedutória que é razão aliás da infalibilidade da minha visita das dez da manhã de todos os sábados ao shopping do Cacém.
19.12.08
o jogo pouco claro de Manuel Alegre e Manuela Ferreira Leite
A entrevista de ontem à noite de Manuel Alegre foi esclarecedora. Acusou o "aparelho" do PS de ter sido permissivo ou mesmo patrocinado fraudes nas eleições internas de há 4 anos. Mas não tirou as devidas ilacções, não denunciando então, não saindo do partido, esperando 4 anos para o dizer, para estranhamente concluir que a eleição então de Sócrates foi até legítima.
Não foi o PS que saiu chamuscado desta e de doutras acusações e insinuações, foi Manuel Alegre, que denuncia tardiamente e revela conivência no silêncio e, mais uma vez, manifesta e incompreensívelmente não assume as consequências institucionais do seu discurso.
Falando ainda de institucionalidade, lá regressa Manuela Ferreira Leite à acusação a José Sócrates de prejudicar o interesse nacional, visto que em situação de grande crise, quando por todo o mundo há cooperação institucional, novamente vem o PM pô-la em causa em Portugal, ao não ceder às exigências de recuo do Presidente Cavaco Silva.
Então se assim é porque se prepara o PSD hoje - e assim impôs a quase todos os seus deputados - para se abster na revotação do Estatuto dos Açores e até ir tolerar que 2 deputados (entre os quais o histórico e eterno presidenciável Mota Amaral) votem favoravelmente com o PS?
E porque votou antes favoravelmente o partido de Manuela Ferreira Leite o mesmo diploma, com a mesma norma, em rara unanimidade parlamentar?
Em bom inglês analítico às prestações de Manuela e Manuel com propriedade chamariamos nós de "double speech". Em bom português digamos que o jogo de ambos é pouco claro, muito justificativo e demasiadamente aquém das expectativas que a sua personalidade em diferentes tempos gerou em muitos cidadãos.
Não foi o PS que saiu chamuscado desta e de doutras acusações e insinuações, foi Manuel Alegre, que denuncia tardiamente e revela conivência no silêncio e, mais uma vez, manifesta e incompreensívelmente não assume as consequências institucionais do seu discurso.
Falando ainda de institucionalidade, lá regressa Manuela Ferreira Leite à acusação a José Sócrates de prejudicar o interesse nacional, visto que em situação de grande crise, quando por todo o mundo há cooperação institucional, novamente vem o PM pô-la em causa em Portugal, ao não ceder às exigências de recuo do Presidente Cavaco Silva.
Então se assim é porque se prepara o PSD hoje - e assim impôs a quase todos os seus deputados - para se abster na revotação do Estatuto dos Açores e até ir tolerar que 2 deputados (entre os quais o histórico e eterno presidenciável Mota Amaral) votem favoravelmente com o PS?
E porque votou antes favoravelmente o partido de Manuela Ferreira Leite o mesmo diploma, com a mesma norma, em rara unanimidade parlamentar?
Em bom inglês analítico às prestações de Manuela e Manuel com propriedade chamariamos nós de "double speech". Em bom português digamos que o jogo de ambos é pouco claro, muito justificativo e demasiadamente aquém das expectativas que a sua personalidade em diferentes tempos gerou em muitos cidadãos.
17.12.08
o sentido de futuro no PSD
O PSD de Manuela Ferreira Leite acaba de deixar uma marca incontornável quanto ao seu projecto de futuro: a sua primeira e por isso bem emblemática escolha para 2009 é o pior que o PSD já conseguiu dar a Portugal em toda a sua história, o santanismo.
E tudo começara por parecer uma má piada.
Aguarda-se agora com muita curiosidade como reagirá o mais reputado especialista em Santana Lopes, José Pacheco Pereira. Só lhe resta uma saída coerente, demarcar-se inequivocamente desta decisão e desta matriz política, tomando a liderança do "combate" ao erro.
Tudo o que for menos que isto será problema para a sua credibilidade.
E tudo começara por parecer uma má piada.
Aguarda-se agora com muita curiosidade como reagirá o mais reputado especialista em Santana Lopes, José Pacheco Pereira. Só lhe resta uma saída coerente, demarcar-se inequivocamente desta decisão e desta matriz política, tomando a liderança do "combate" ao erro.
Tudo o que for menos que isto será problema para a sua credibilidade.
16.12.08
as palavras de quem sabe
"Quando há uma crise latente, que fere em consciência as classes médias, qualquer pretexto serve para gerar a revolta. Maio de 68 foi assim".
Mário Soares, in Diário de Notícias, hoje
Mário Soares, in Diário de Notícias, hoje
a lógica eucaliptal de Paulo Portas
Paulo Portas padece daquilo que sem grande piedade chamaremos de complexo "chávista". Não tanto pelos 95% da sua votação do fim-de-semana, nem sequer pela saída de cem inscritos quase todos notáveis, hoje anunciada.
É que, de facto, do CDS orgânico parece não haver mais ninguém com espaço para se afirmar. É Portas sempre e por todo o lado.
No PS sempre vamos tendo Alegre. No PSD não há quem se destaque por aí além, mas isso porque não vêm futuro na líder, que por sua vez lá faz o seu caminho esperando que lhe caia a taluda.
Mas no CDS pode temer-se que só lá tenham lugar doravante "jotas" à procura de carreira e militantes de província impressionados pela "persona" do líder. Dos seniores do CDS, partido que tão importante tributo deu em mais de 30 anos ao edifício constitucional e legislativo democrático, já quase não há senão alguns vislumbres no parlamento, entrevistas amarguradas e posições enigmáticas aqui e ali.
É uma autêntica "danger zone", o CDS com Paulo Portas.
É que, de facto, do CDS orgânico parece não haver mais ninguém com espaço para se afirmar. É Portas sempre e por todo o lado.
No PS sempre vamos tendo Alegre. No PSD não há quem se destaque por aí além, mas isso porque não vêm futuro na líder, que por sua vez lá faz o seu caminho esperando que lhe caia a taluda.
Mas no CDS pode temer-se que só lá tenham lugar doravante "jotas" à procura de carreira e militantes de província impressionados pela "persona" do líder. Dos seniores do CDS, partido que tão importante tributo deu em mais de 30 anos ao edifício constitucional e legislativo democrático, já quase não há senão alguns vislumbres no parlamento, entrevistas amarguradas e posições enigmáticas aqui e ali.
É uma autêntica "danger zone", o CDS com Paulo Portas.
15.12.08
um Ministro fora de papel
O PÚBLICO on line titula que Teixeira dos Santos disse hoje que "É preciso pressionar os bancos para que façam chegar o dinheiro às empresas".
Eu não acredito. Teixeira dos Santos não pode ter dito algo sequer parecido.
Ou será que depois da nacionalização e da "avalização" disponível para quase todos os bancos se segue agora uma intervenção ao nível das decisões de perfil comercial que todos os dias todos os bancos têm de tomar?
Ou será antes este um apelo do ministro ao levantamento das "massas" (sim, sempre há mais de meio milhão de empresas em Portugal) contra os gerentes de agência, tipo bloqueios de gerentes de supermercados à porta do BPI da Alameda, ou dos tractores da Mealhada às portas da loja Millennium bcp local?
Eu não acredito. Teixeira dos Santos não pode ter dito algo sequer parecido.
Ou será que depois da nacionalização e da "avalização" disponível para quase todos os bancos se segue agora uma intervenção ao nível das decisões de perfil comercial que todos os dias todos os bancos têm de tomar?
Ou será antes este um apelo do ministro ao levantamento das "massas" (sim, sempre há mais de meio milhão de empresas em Portugal) contra os gerentes de agência, tipo bloqueios de gerentes de supermercados à porta do BPI da Alameda, ou dos tractores da Mealhada às portas da loja Millennium bcp local?
o futuro de Manuel Alegre
Manuel Alegre há muito que faz que faz um novo partido e depois não faz. Participa em iniciativas do Bloco de Esquerda (BE), ou em que este prepondera ou controla, e depois recua sempre para o
conforto da bancada parlamentar socialista, para desalinhar continuadamente.
Não se percebe se é tacticismo, se o que Manuel Alegre pretende é apenas fixar espaço para uma recandidatura presidencial em 2011, o que em si mesmo não seria já objectivo menor.
A interpretação que temos aqui no Café é que Manuel Alegre teme o fracasso.
Na verdade, o fracasso poderia consistir tão somente em entregar com um seu novo partido (que poderia ser uma frente tipo BE + Alegre + Helena Roseta) o governo ao PSD de Manuela Ferreira Leite.
E nem teria sido preciso que viesse como veio ontem Marcelo Rebelo de Sousa dizê-lo. Uma fracção no PS pela esquerda, de perfil “alegrista”, entregará com quase completa certeza o poder à direita, mesmo que em minoria. E aí não sei como se sentiria Manuel Alegre. Conseguiria então um histórico “dois em um”, duas entregas seguidas de poder à direita por mérito de um mesmo homem de esquerda e em nome da esquerda.
Claro que há outras opções.
Claro que Manuel Alegre pode utilizar o capital entretanto sedimentado para procurar algo de diferente, por exemplo modalidades de confederação das esquerdas democráticas, aquelas que estão com o PS e a parte do BE que é democrática, ainda que radical.
Dito de outro modo, Manuel Alegre pode vir a ter de facto um papel decisivo no ciclo eleitoral de 2009.
Espera-se dele e dos que consigo estão inteligência estratégica, mais do que o mero tacticismo de ir semeando pontes. Até porque o seu propósito último, derrotar Cavaco Silva em 2011, parece revestir-se da maior importância para o regime democrático e precisa de todas as forças disponíveis, sem exclusões ou fracturas. Não é Manuel?
conforto da bancada parlamentar socialista, para desalinhar continuadamente.Não se percebe se é tacticismo, se o que Manuel Alegre pretende é apenas fixar espaço para uma recandidatura presidencial em 2011, o que em si mesmo não seria já objectivo menor.
A interpretação que temos aqui no Café é que Manuel Alegre teme o fracasso.
Na verdade, o fracasso poderia consistir tão somente em entregar com um seu novo partido (que poderia ser uma frente tipo BE + Alegre + Helena Roseta) o governo ao PSD de Manuela Ferreira Leite.
E nem teria sido preciso que viesse como veio ontem Marcelo Rebelo de Sousa dizê-lo. Uma fracção no PS pela esquerda, de perfil “alegrista”, entregará com quase completa certeza o poder à direita, mesmo que em minoria. E aí não sei como se sentiria Manuel Alegre. Conseguiria então um histórico “dois em um”, duas entregas seguidas de poder à direita por mérito de um mesmo homem de esquerda e em nome da esquerda.
Claro que há outras opções.
Claro que Manuel Alegre pode utilizar o capital entretanto sedimentado para procurar algo de diferente, por exemplo modalidades de confederação das esquerdas democráticas, aquelas que estão com o PS e a parte do BE que é democrática, ainda que radical.
Dito de outro modo, Manuel Alegre pode vir a ter de facto um papel decisivo no ciclo eleitoral de 2009.
Espera-se dele e dos que consigo estão inteligência estratégica, mais do que o mero tacticismo de ir semeando pontes. Até porque o seu propósito último, derrotar Cavaco Silva em 2011, parece revestir-se da maior importância para o regime democrático e precisa de todas as forças disponíveis, sem exclusões ou fracturas. Não é Manuel?
14.12.08
os prémios do Café Clube: o melhor mundo fora

palavra do ano: "change", a palavra mágica para a mudança do mundo, para o melhor (com Obama) e o pior (a crise, outra incontornável palavra do ano)
melhor decisão política na Europa: pacote de políticas "salvíficas" de Gordon Brown, modelo interessante de reforço da dimensão social moderna do Estado, adoptado mundo fora apenas na sua dimensão financeira , em Novembro
melhor decisão política no mundo todo: o convite de Barack Obama a Hillary Clinton para Secretária de Estado
acontecimento internacional: a eleição de Barack Obama, em 4 de Novembro
personalidade cultural internacional: Martti Ahtisaari, finlandês, prémio Nobel da Paz
personalidade do ano internacional: ex-aequo Barack Obama e Hillary Clinton
melhor decisão política na Europa: pacote de políticas "salvíficas" de Gordon Brown, modelo interessante de reforço da dimensão social moderna do Estado, adoptado mundo fora apenas na sua dimensão financeira , em Novembro
melhor decisão política no mundo todo: o convite de Barack Obama a Hillary Clinton para Secretária de Estado
acontecimento internacional: a eleição de Barack Obama, em 4 de Novembro
personalidade cultural internacional: Martti Ahtisaari, finlandês, prémio Nobel da Paz
personalidade do ano internacional: ex-aequo Barack Obama e Hillary Clinton
os prémios do Café Clube: o melhor de cá de dentro

melhor blogue português: o 31 da Armada
o blogue revelação: o Sinusite Crónica
a melhor informação On Line: o blogue do Público dedicado às eleições norte-americanas, liderado por Rita Siza
melhor espaço informativo: ainda a SIC Notícias
melhor contribuinte líquido para a boa opinião em Portugal: "Eixo do Mal", programa da SIC Notícias coordenado por Nuno Artur Silva
citação do ano: "Vivemos a crise dia a dia, vendo as suas dimensões colossais e rezando para que haja lideranças à altura dos desafios", de Teresa de Sousa, in PÚBLICO de 1 de Outubro
entrevista pública do ano: a José Silva Lopes, várias vezes no ano e a Henrique Medina Carreira, dia 10 de Dezembro
opinador financeiro em Portugal: João Duque, professor univesitário, no "EXPRESSO" e nos canais SIC
melhor decisão política em Portugal: oferta de Portugal para abrigo de não culpados detidos em Guantanamo, em Dezembro
personalidade cultural nacional: Eduardo Lourenço, no ano dos seus 85
personalidade nacional do ano: Mário Soares, porque ainda vive e será sempre um refúgio natural de sabedoria, em contraste de grandeza com os ressurgidos pequenos cavaquistões
os prémios do Café Clube: para lembrar o pior mundo fora

desastre internacional do ano: a impune permanência do criminoso Robert Mugabe no poder, no Zimbabwe, contra a liberdade, a vida e a decência
anti-personalidade internacional: Sarah Palin, personagem de quem o mundo e os Estados Unidos se livraram, por agora
anedota política internacional do ano: Angela Merkel, quando fez publicar um pedido de mais formalidade social ao atrevido Sarkozy nos cumprimentos entre ambos
perda do ano: Irena Sendler, pela memória de quem soube viver com infinita grandeza
os prémios do Café Clube: o pior de cá de dentro
estupidez política do ano: a demissão de Correia de Campos, autoria de José Sócrates
desastre do ano: o regresso de um certo cavaquismo (de má memória) à sociedade portuguesa
acontecimento do ano: a ridiculamente fácil desagregação do sistema financeiro
anedota política do ano: a afirmação de Manuela Ferreira Leite, líder do PSD, de que não apresenta alternativas de políticas para não ser copiada por José Sócrates
anti-personalidade do ano: Luis Filipe Menezes, pelos disparates continuados, o ano quase todo
desastre do ano: o regresso de um certo cavaquismo (de má memória) à sociedade portuguesa
acontecimento do ano: a ridiculamente fácil desagregação do sistema financeiro
anedota política do ano: a afirmação de Manuela Ferreira Leite, líder do PSD, de que não apresenta alternativas de políticas para não ser copiada por José Sócrates
anti-personalidade do ano: Luis Filipe Menezes, pelos disparates continuados, o ano quase todo
os prémios do Café Clube: lazeres e prazeres

a personalidade no desporto nacional: Álvaro Parente (automobilismo)
a personalidade no desporto internacional: Marco Simoncelli (motociclismo)
o rosto do ano: Ana Lourenço (SIC Notícias)
o actor: Tommy Lee Jones
a série dramática de TV: "Generation Kill", da HBO, produzida por Ed Burns, David Simon e Evan Wright
o lugar virtual de prazer: o blogue da Sofia e as fadas...também se enganam no caminho
o lugar físico de prazer: a Casa da Música, no Porto
chegam os prémios 2008 do Café Clube: à Mesa

Doce revelação: as Nevadas do Lorvão
Novo prato: Ovas grelhadas salteadas, como fazem no "Bataréo", em Setúbal
Restaurante do ano: o "Bataréo", em Setúbal
13.12.08
um bom momento da diplomacia portuguesa
Sem prejuízo de um melhor conhecimento da fundamentação política e jurídica do Governo português, tenho de assinalar a excelente decisão de se oferecer Portugal como lugar de abrigo para expatriados em Guantánamo não condenados por qualquer órgão de justiça mas indesejados no seu país de origem.
É uma marca na melhor tradição nacional, que pretende, parece-me, contrastar com a anterior imagem do Portugal de Durão Barroso, então país colaborante com a farsa que foi aquele degredo miserável, lugar de vergonha, despojado de lei nem direitos.
É uma marca na melhor tradição nacional, que pretende, parece-me, contrastar com a anterior imagem do Portugal de Durão Barroso, então país colaborante com a farsa que foi aquele degredo miserável, lugar de vergonha, despojado de lei nem direitos.
um homem de coragem
Só ontem ouvi a entrevista do início da semana de Luís Nobre Guedes, na SIC Notícias, à magnífica Ana Lourenço.
Nobre Guedes é um homem desprendido de cargos e
conveniências próprias, amargurado com o curso da coisa pública, apenas interessado na verdade das atitudes e no interesse geral.
Mesmo considerando as contradições do seu discurso (a defesa de Santana Lopes para Lisboa cheira a indisfarçado agradecimento pelo cargo de Ministro que desempenhou), Luís Nobre Guedes parece ele mesmo verdadeiro e merecedor da máxima atenção, por exemplo quando elogia Sócrates pelo acerto político e económico e quando defende, atendendo ao carácter muito grave da crise económica que agora apenas começa, a criação de maiorias absolutas de governação.
Luís Nobre Guedes defende esse valor como absoluto, devendo ser pelo menos bipartidárias, idealmente até multipartidárias, isto é compreendendo os partidos do chamado "arco da governação", PS, PSD e o seu CDS.
Muito importante é também a sua defesa do princípio da alternativa programática e até orçamental. Os partidos da oposição deveriam, defende, preparar e apresentar documentos publicamente, por exemplo ao Orçamento de Estado, estabelecendo junto dos cidadãos com números e medidas precisas as suas propostas de políticas, isto é em que consiste a sua "oposição". Recorreu ao exemplo de Miguel Sousa Tavares, quando este, em 2005, fez publicar as 50 medidas que aplicaria se fosse Governo. Os partidos deveriam fazer algo assim, regularmente, pelo menos antes das eleições. Assumir compromissos públicos, objectivos e rigorosos.
As suas posições são corajosas e serão obviamente impopulares no seu partido e no "portismo" . Mas que não restem dúvidas que são palavras e atitudes dignas e de grande importância política. Assim haja "povo" no CDS para as tomar a sério. E deixo uma expectativa. O que fará aquele que é seguramente o maior e mais promissor vulto político do CDS a estas palavras. Como é que é António Lobo Xavier? Há aí coragem para ser alternativa?
Nobre Guedes é um homem desprendido de cargos e
conveniências próprias, amargurado com o curso da coisa pública, apenas interessado na verdade das atitudes e no interesse geral.Mesmo considerando as contradições do seu discurso (a defesa de Santana Lopes para Lisboa cheira a indisfarçado agradecimento pelo cargo de Ministro que desempenhou), Luís Nobre Guedes parece ele mesmo verdadeiro e merecedor da máxima atenção, por exemplo quando elogia Sócrates pelo acerto político e económico e quando defende, atendendo ao carácter muito grave da crise económica que agora apenas começa, a criação de maiorias absolutas de governação.
Luís Nobre Guedes defende esse valor como absoluto, devendo ser pelo menos bipartidárias, idealmente até multipartidárias, isto é compreendendo os partidos do chamado "arco da governação", PS, PSD e o seu CDS.
Muito importante é também a sua defesa do princípio da alternativa programática e até orçamental. Os partidos da oposição deveriam, defende, preparar e apresentar documentos publicamente, por exemplo ao Orçamento de Estado, estabelecendo junto dos cidadãos com números e medidas precisas as suas propostas de políticas, isto é em que consiste a sua "oposição". Recorreu ao exemplo de Miguel Sousa Tavares, quando este, em 2005, fez publicar as 50 medidas que aplicaria se fosse Governo. Os partidos deveriam fazer algo assim, regularmente, pelo menos antes das eleições. Assumir compromissos públicos, objectivos e rigorosos.
As suas posições são corajosas e serão obviamente impopulares no seu partido e no "portismo" . Mas que não restem dúvidas que são palavras e atitudes dignas e de grande importância política. Assim haja "povo" no CDS para as tomar a sério. E deixo uma expectativa. O que fará aquele que é seguramente o maior e mais promissor vulto político do CDS a estas palavras. Como é que é António Lobo Xavier? Há aí coragem para ser alternativa?
11.12.08
sinais da pré-ruptura civilizacional, na Grécia?

"A man's hand drips blood as he stands in front of riot policemen during a demonstration in Athens December 9, 2008."
foto REUTERS/John Kolesidis
10.12.08
a hipocrisia das faltas dos senhores deputados
Parece agora "cair o Carmo e a Trindade" porque muitos deputados faltaram a uma sessão parlamentar da semana passada, véspera de fim-de-semana grande. 
Veio primeiro a líder Manuela vergastar os laranjinhas de S. Bento e o seu chefe, o jovem e neófito Rangel, chamado sem piedade e publicamente à casa onde Ferreira Leite se senta, altiva.
O Paulo ainda tentou minimizar, mas logo recuou, para acabar a marcar um conclave auto-punitivo, que acontecerá por estes dias.
Agora foi a vez do Gama vir falar grosso. O facto de parecer que está o Jaime (o senhor Presidente do parlamento, número 2 institucional do regime) a reboque da chefe da oposição não o demoveu de posições públicas contundentes.
A circunstância de há pelo menos 2 décadas estas práticas da "falta porque sim" ocorrerem, sistemática, massiva, continuadamente, também não fez tremer o "peixe de águas profundas", como lhe chamava o ex-amigo Mário Soares.
De entre os 230 senhores deputados seguramente mais de metade não participam regularmente nas sessões de plenário. Espera-se apenas que se pronunciem uma, duas vezes por ano sobre o seu círculo eleitoral, no púlpito ou do conforto da sua bancada. Falam então com texto escrito, por vezes retocado e afinado pela liderança da bancada.
É aliás bem provável que, dos 30 deputados PSD que faltaram à tal sessão, boa parte deles nunca tenha falado sobre um tema nacional, muito menos internacional, e ainda menos sobre uma questão de valores, de princípios, de filosofia política.
As lideranças parlamentares acriançam os deputados das suas bancadas. Anos atrás policiavam-nos, aplicavam multas, sugeriam que não seriam reeleitos, caso tivessem comportamento impróprio.
Provavelmente esses caminhos serão revisitados.
Da maioria dos 230 senhores deputados o comportamento que se espera é que estejam, aplaudam, dêem circunstanciais apartes e que votem como lhes mandarem. Muitas vezes nem explicação lhes é dado
É uma democracia mitigada esta, quando os nossos representantes apanham pauladas em público e se calam, como meninos de jardim-escola. Claro que têm culpa. Claro que quem os escolheu tem mais culpa. Claro que os cidadãos que elegem passivamente pessoas capazes de escolherem tão pobremente, isto é nós, somos ainda mais culpados.

Veio primeiro a líder Manuela vergastar os laranjinhas de S. Bento e o seu chefe, o jovem e neófito Rangel, chamado sem piedade e publicamente à casa onde Ferreira Leite se senta, altiva.
O Paulo ainda tentou minimizar, mas logo recuou, para acabar a marcar um conclave auto-punitivo, que acontecerá por estes dias.
Agora foi a vez do Gama vir falar grosso. O facto de parecer que está o Jaime (o senhor Presidente do parlamento, número 2 institucional do regime) a reboque da chefe da oposição não o demoveu de posições públicas contundentes.
A circunstância de há pelo menos 2 décadas estas práticas da "falta porque sim" ocorrerem, sistemática, massiva, continuadamente, também não fez tremer o "peixe de águas profundas", como lhe chamava o ex-amigo Mário Soares.
De entre os 230 senhores deputados seguramente mais de metade não participam regularmente nas sessões de plenário. Espera-se apenas que se pronunciem uma, duas vezes por ano sobre o seu círculo eleitoral, no púlpito ou do conforto da sua bancada. Falam então com texto escrito, por vezes retocado e afinado pela liderança da bancada.
É aliás bem provável que, dos 30 deputados PSD que faltaram à tal sessão, boa parte deles nunca tenha falado sobre um tema nacional, muito menos internacional, e ainda menos sobre uma questão de valores, de princípios, de filosofia política.
As lideranças parlamentares acriançam os deputados das suas bancadas. Anos atrás policiavam-nos, aplicavam multas, sugeriam que não seriam reeleitos, caso tivessem comportamento impróprio.
Provavelmente esses caminhos serão revisitados.
Da maioria dos 230 senhores deputados o comportamento que se espera é que estejam, aplaudam, dêem circunstanciais apartes e que votem como lhes mandarem. Muitas vezes nem explicação lhes é dado
É uma democracia mitigada esta, quando os nossos representantes apanham pauladas em público e se calam, como meninos de jardim-escola. Claro que têm culpa. Claro que quem os escolheu tem mais culpa. Claro que os cidadãos que elegem passivamente pessoas capazes de escolherem tão pobremente, isto é nós, somos ainda mais culpados.
sinais da miséria humana
Vários jornais reportavam recentemente que Patrick Swayze estará a morrer. "Fontes próximas" do actor desmentiram que estivesse para acontecer, sendo público que combate, já longamente, um funesto cancro alojado no pâncreas, tendo já sido submetido a tratamentos de quimioterapia. Os mesmos jornais insistiram que sim, que a morte não tardará, que o actor mente.
É nestes momentos que sinto que o mundo tem pouco remédio, infestado que está de gente assim, produtora de notícias nojentas para tanto mais mundo, que as consome avidamente.
Fico mesmo pessimista, para não utilizar aqui palavra mais própria do meu calão corrente.
É nestes momentos que sinto que o mundo tem pouco remédio, infestado que está de gente assim, produtora de notícias nojentas para tanto mais mundo, que as consome avidamente.
Fico mesmo pessimista, para não utilizar aqui palavra mais própria do meu calão corrente.
o Rodolfo: 25 anos, junto, em crise
Eu não podia fechar ouvidos. E os olhos também não.
O Rodolfo terá uns 25 anos. Comia ele à hora de almoço num qualquer shopping dos subúrbios um hamburger com um amigo. E o desabafo era tocante. Está a ter problemas em casa com a companheira porque não tem dinheiro para irem ao cinema, para comerem fora, para sequer sairem ao fim-de-semana.
Ela parece que não percebe e culpa-o pelo infortúnio.
Esquecerá ela que têm de pagar o seguro automóvel, a renda ao banco, a creche da criança recém-nascida?
Na empresa o Rodolfo também teme pelo emprego e sente que não é suficientemente apreciado pelo chefe, muito menos antevê que possa vir a ter aumento de ordenado tão cedo.
Senti que não podia continuar na mesa ao lado, ouvindo o desnudamento de uma aflição assim, sem estar preparado.
Levantei-me assim que terminei também eu o meu "snack", olhei com mais atenção o panorama das largas dezenas que comiam por ali e percebi que cresceu bem o número dos que comemos ligeiro, os "balcões de comida" (chamar-lhes restaurantes seria eufemismo) com soluções cada vez mais próximas dos 3 €, todas coloridamente apresentadas, todas tentadoras.
O Rodolfo terá uns 25 anos. Comia ele à hora de almoço num qualquer shopping dos subúrbios um hamburger com um amigo. E o desabafo era tocante. Está a ter problemas em casa com a companheira porque não tem dinheiro para irem ao cinema, para comerem fora, para sequer sairem ao fim-de-semana.
Ela parece que não percebe e culpa-o pelo infortúnio.
Esquecerá ela que têm de pagar o seguro automóvel, a renda ao banco, a creche da criança recém-nascida?
Na empresa o Rodolfo também teme pelo emprego e sente que não é suficientemente apreciado pelo chefe, muito menos antevê que possa vir a ter aumento de ordenado tão cedo.
Senti que não podia continuar na mesa ao lado, ouvindo o desnudamento de uma aflição assim, sem estar preparado.
Levantei-me assim que terminei também eu o meu "snack", olhei com mais atenção o panorama das largas dezenas que comiam por ali e percebi que cresceu bem o número dos que comemos ligeiro, os "balcões de comida" (chamar-lhes restaurantes seria eufemismo) com soluções cada vez mais próximas dos 3 €, todas coloridamente apresentadas, todas tentadoras.
9.12.08
os portugueses querem lá saber se a recessão já é "técnica"
Já chateia a repetição do argumento de que "não estamos em recessão técnica", por parte de tão altas instâncias como o Governador do Banco de Portugal, ou o Primeiro-Ministro.
É que a diferença entre dois trimestres seguidos com crescimento negativo de 0,1%, o tal critério técnico, e um crescimento, em dois trimestres consecutivos, de 0,2 ou 0,3% é imenso, não é? É toda uma diferente economia, aquela "tecnicamente" em crise e a que (ainda) está "saudável".
Ouvindo-se aliás o Primeiro-Ministro a falar chega-se mesmo a pensar que este absurdo está na cabeça dele, não somente nas palavras. É que na economia real um negativo a 0,1 ou um positivo da mesma dimensão é a mesma coisa. Nem vale a pena disfarçar. Os tempos já estão mesmo difíceis.
Mais importante que procurar José Sócrates infundir uma falsa sensação de normalidade, seria talvez adoptar o PM a atitude prudencial de aos concidadãos recomendar poupança, contenção, equilíbrio. A serenidade e a sobriedade nas referências de governação seriam agora bem mais importantes e credibilizadoras que um imbecil e anacrónico apelo optimístico, que em nenhuma realidade cola.

É que a diferença entre dois trimestres seguidos com crescimento negativo de 0,1%, o tal critério técnico, e um crescimento, em dois trimestres consecutivos, de 0,2 ou 0,3% é imenso, não é? É toda uma diferente economia, aquela "tecnicamente" em crise e a que (ainda) está "saudável".
Ouvindo-se aliás o Primeiro-Ministro a falar chega-se mesmo a pensar que este absurdo está na cabeça dele, não somente nas palavras. É que na economia real um negativo a 0,1 ou um positivo da mesma dimensão é a mesma coisa. Nem vale a pena disfarçar. Os tempos já estão mesmo difíceis.
Mais importante que procurar José Sócrates infundir uma falsa sensação de normalidade, seria talvez adoptar o PM a atitude prudencial de aos concidadãos recomendar poupança, contenção, equilíbrio. A serenidade e a sobriedade nas referências de governação seriam agora bem mais importantes e credibilizadoras que um imbecil e anacrónico apelo optimístico, que em nenhuma realidade cola.
e agora, eu que como enchidos que me farto?
O senhor Ministro Silva, da pasta de nome "da Agricultura", vangloriou-se da invejável (até para os americanos) qualidade dos mecanismos de vigilância sanitária da União Europeia.
Mas isso não impediu que 30 toneladas de carne de porco contaminada saíssem da Irlanda, viajassem até Portugal e entrassem na cadeia alimentar, transformando-se em chouriços de vários tipos que tantos consumimos.
Por exemplo eu, que ainda este fim-de-semana comi um lautíssimo cozido à portuguesa, com chouriços de 4 espécies. Aliás, os meus cozidos são sempre bem sui generis, sendo predominantes as cores cinzenta, laranja e vermelho dos belos enchidos.
Em lugar de Jaime Silva se vangloriar de mecanismos que manifestamente não funcionaram como deveriam, preventivamente, mais valia que tivesse pedido desculpa e que prometesse a tomada de medidas novas de reforço da dissuasão da importação e comercialização de bens alimentícios não inspeccionados. E eis um bom papel, finalmente, para a extraordinária ASAE, nos últimos meses retirada cuidadosamente dos holofotes dos media.
E que tal a sempre diligentíssima Direcção Geral da Saúde do brilhante Sr. Francisco George se dedicar, urgentemente, à informação dos cidadãos sobre que consequências para a saúde poderá ter, ou ter tido, ou vir a ter a ingestão de semelhantes chouriços? Eu agradeço desde já que se cumpra essa missão, que de resto é um manifesto dever do Estado.
Mas isso não impediu que 30 toneladas de carne de porco contaminada saíssem da Irlanda, viajassem até Portugal e entrassem na cadeia alimentar, transformando-se em chouriços de vários tipos que tantos consumimos.
Por exemplo eu, que ainda este fim-de-semana comi um lautíssimo cozido à portuguesa, com chouriços de 4 espécies. Aliás, os meus cozidos são sempre bem sui generis, sendo predominantes as cores cinzenta, laranja e vermelho dos belos enchidos.
Em lugar de Jaime Silva se vangloriar de mecanismos que manifestamente não funcionaram como deveriam, preventivamente, mais valia que tivesse pedido desculpa e que prometesse a tomada de medidas novas de reforço da dissuasão da importação e comercialização de bens alimentícios não inspeccionados. E eis um bom papel, finalmente, para a extraordinária ASAE, nos últimos meses retirada cuidadosamente dos holofotes dos media.
E que tal a sempre diligentíssima Direcção Geral da Saúde do brilhante Sr. Francisco George se dedicar, urgentemente, à informação dos cidadãos sobre que consequências para a saúde poderá ter, ou ter tido, ou vir a ter a ingestão de semelhantes chouriços? Eu agradeço desde já que se cumpra essa missão, que de resto é um manifesto dever do Estado.
se a TIME atribui, porque é que o Café não há-de atribuir?
Aqui o Café Clube leva-se um bocado a sério. Tem por isso de haver escolhas neste fim de ano. Os prémios Café Clube terão imensas categorias, tantas quantas as àreas de interesse cá da equipa.
Só uma não passará aqui, a música, que o Diversus, irmão gémeo do Café, melhor vai tratando.
Tentaremos a originalidade de informar todos os premiados da decisão. Mas há um forte candidato que antevemos já poder ser de difícil acesso, mesmo electronicamente. Tem pouco tempo disponível, só toma posse lá por 20 de Janeiro e tem um staff quase impenetrável. Tentaremos por isso chegar a Obama por ínvias maneiras. Se ele ganhar o prémio, claro.
Só uma não passará aqui, a música, que o Diversus, irmão gémeo do Café, melhor vai tratando.
Tentaremos a originalidade de informar todos os premiados da decisão. Mas há um forte candidato que antevemos já poder ser de difícil acesso, mesmo electronicamente. Tem pouco tempo disponível, só toma posse lá por 20 de Janeiro e tem um staff quase impenetrável. Tentaremos por isso chegar a Obama por ínvias maneiras. Se ele ganhar o prémio, claro.
6.12.08
o insuperável Mário Nogueira
O sindicalista Mário Nogueira é um homem determinadíssimo. Um tipo à antiga, a fazer lembrar as figuras míticas do início da luta pelos direitos dos trabalhadores assalariados.
Percebeu que estava a ser ultrapassado pelos professores, que nas sua manifestações começaram a desconfiar do PCP e dos seus melhores, e Nogueira, porque é mesmo o melhor nesse papel, lá se propôs recuperar o controle da coisa.
Fez tudo o que podia, com estridência, muita coragem e assinalável eficácia mediática.
O problema é que quando o Governo deu mostras de poder recuar um pouco Mário Nogueira exigiu logo o recuo total, a derrota definitiva daquilo com que contende.
Hoje os jornais on line citam-no como tendo dito que "se o Governo quer guerra terá guerra", depois do dirigente da FENPROF ter vislumbrado na Ministra não a intenção de deitar a toalha ao ringue mas de se dispor a negociar.
Mas o que o Nogueira e o seu partido querem é que tudo continue, e que, se possível, ainda mais se agudize.
O Mário Nogueira dá de facto um jeitaço ao camarada Jerónimo de Sousa, poucos meses antes de se iniciar o ciclo eleitoral, em que Jerónimo lutará com Louçã pelo papel de líder popular da "esquerda autêntica".
Percebeu que estava a ser ultrapassado pelos professores, que nas sua manifestações começaram a desconfiar do PCP e dos seus melhores, e Nogueira, porque é mesmo o melhor nesse papel, lá se propôs recuperar o controle da coisa.
Fez tudo o que podia, com estridência, muita coragem e assinalável eficácia mediática.
O problema é que quando o Governo deu mostras de poder recuar um pouco Mário Nogueira exigiu logo o recuo total, a derrota definitiva daquilo com que contende.
Hoje os jornais on line citam-no como tendo dito que "se o Governo quer guerra terá guerra", depois do dirigente da FENPROF ter vislumbrado na Ministra não a intenção de deitar a toalha ao ringue mas de se dispor a negociar.
Mas o que o Nogueira e o seu partido querem é que tudo continue, e que, se possível, ainda mais se agudize.
O Mário Nogueira dá de facto um jeitaço ao camarada Jerónimo de Sousa, poucos meses antes de se iniciar o ciclo eleitoral, em que Jerónimo lutará com Louçã pelo papel de líder popular da "esquerda autêntica".
5.12.08
quando os sindicalistas são porta-vozes das empresas
Eu percebo que seja importante um sindicalista dar boas notícias ... se resultar do seu trabalho, do empenho directo e palpável da sua negociação em papel de representação.
Mas tem sucedido com inusitada frequência.
Hoje foi a vez de um sindicalista da Delphi, que veio revelar a de facto boa notícia da mudança de planos da empresa quanto à deslocalização, down e upsizing de áreas industriais inteiras da empresa, tudo em registo de fazer inveja a qualquer relações públicas encartado.
Nunca perceberei que mecanismo racional os põe nesse papel.
Mas tem sucedido com inusitada frequência.
Hoje foi a vez de um sindicalista da Delphi, que veio revelar a de facto boa notícia da mudança de planos da empresa quanto à deslocalização, down e upsizing de áreas industriais inteiras da empresa, tudo em registo de fazer inveja a qualquer relações públicas encartado.
Nunca perceberei que mecanismo racional os põe nesse papel.
crianças da tribo Bajo

"A boy from Indonesia's Bajo tribe looks out from the window of his home on Wanci island in Sulawesi province December 3, 2008."
foto REUTERS/Yusuf Ahmad
4.12.08
e se a campanha anti-Vítor Constâncio tivesse outros objectivos?
Titula hoje a TSF on line que o "Banco de Portugal suspeita de branqueamento de capitais no BPN".
Terei de pedir desculpa por me questionar também eu se toda a campanha, brutal aliás, recentemente movida por um distinto partido político português e pelo seu líder não poderá ter tido afinal outro objectivo que não o revelado.
O que a todos então pareceu é que o CDS e Paulo Portas pretenderiam a execução pública de Vítor Constâncio, culpando-o como o quase único responsável por todas as perversões e ilegalidades nos bancos BCP e BPN, não por as ter cometido, apenas por não as ter descoberto em tempo certo.
Mas o desmesurado ruído da campanha intrigou-me. Não consigo deixar de recordar notícias e insinuações de anteriores benefícios partidários, nunca cabalmente revelados, menos ainda percebidos pelos cidadãos.
Esses rumores não envolviam apenas o lado direito do espectro político-partidário. Apenas o que não se sabe é que "veículos" cada partido usou para se financiar para lá do que a lei permite.
A benefício do respeito e elevada consideração pessoal e intelectual que nutro por Paulo Portas, homem da distinta colheita de 1962 (such as I), só espero, francamente, que fique muitíssimo claro e em breve que o que se passou na disputa directa Portas/Constâncio há poucas semanas nada tenha que haver com outra coisa que não uma estúpida campanha de resposta e pagamento político ao Governador de filiação socialista, por ter ajudado a manchar a reputação do último Governo PSD/CDS e especialmente do ministro pró-CDS Bagão Félix.
Também por isso, tendo a concordar com a Procuradora Cândida Almeida quando defende o afastamento do tema da esfera parlamentar. A bem da claridade.
Terei de pedir desculpa por me questionar também eu se toda a campanha, brutal aliás, recentemente movida por um distinto partido político português e pelo seu líder não poderá ter tido afinal outro objectivo que não o revelado.
O que a todos então pareceu é que o CDS e Paulo Portas pretenderiam a execução pública de Vítor Constâncio, culpando-o como o quase único responsável por todas as perversões e ilegalidades nos bancos BCP e BPN, não por as ter cometido, apenas por não as ter descoberto em tempo certo.
Mas o desmesurado ruído da campanha intrigou-me. Não consigo deixar de recordar notícias e insinuações de anteriores benefícios partidários, nunca cabalmente revelados, menos ainda percebidos pelos cidadãos.
Esses rumores não envolviam apenas o lado direito do espectro político-partidário. Apenas o que não se sabe é que "veículos" cada partido usou para se financiar para lá do que a lei permite.
A benefício do respeito e elevada consideração pessoal e intelectual que nutro por Paulo Portas, homem da distinta colheita de 1962 (such as I), só espero, francamente, que fique muitíssimo claro e em breve que o que se passou na disputa directa Portas/Constâncio há poucas semanas nada tenha que haver com outra coisa que não uma estúpida campanha de resposta e pagamento político ao Governador de filiação socialista, por ter ajudado a manchar a reputação do último Governo PSD/CDS e especialmente do ministro pró-CDS Bagão Félix.
Também por isso, tendo a concordar com a Procuradora Cândida Almeida quando defende o afastamento do tema da esfera parlamentar. A bem da claridade.
a ideia da Super-Cola 3
Há dias a São José Almeida referia-se à cola que gruda alguns notáveis aos seus lugares, com ganas de quem acha que só morto daí sairá.
Se há nome a quem se aplica este qualificativo esse é o do incrível Vicente de Moura, o quase ancião que pretende recandidatar-se ao Comité Olímpico português, contra tudo, contra todos e contra o sentido mínimo de estética e decência, atentas as palavras ditas contra o projecto e a equipa que liderava em missão, em Pequim, poucos meses atrás.
E se há circunstância que talvez me leve a recusar votar PS em 2009 esta poderá ser uma delas. Quem aprovar o indescritível Vicente de Moura não pode ter o meu voto. Não será muito importante. Mas será muito significativo. Absolutamente.
Se há nome a quem se aplica este qualificativo esse é o do incrível Vicente de Moura, o quase ancião que pretende recandidatar-se ao Comité Olímpico português, contra tudo, contra todos e contra o sentido mínimo de estética e decência, atentas as palavras ditas contra o projecto e a equipa que liderava em missão, em Pequim, poucos meses atrás.
E se há circunstância que talvez me leve a recusar votar PS em 2009 esta poderá ser uma delas. Quem aprovar o indescritível Vicente de Moura não pode ter o meu voto. Não será muito importante. Mas será muito significativo. Absolutamente.
3.12.08
eu bem dizia, a Sinusite Crónica está mesmo em grande forma
"Eu adorava manifestações. Sabendo que havia um ajuntamentozinho onde se berrassem palavras de ordem e uma marcha, de preferência, Avenida da Liberdade abaixo e lá ia eu.
Era uma sensação única: de braço dado com os camaradas, fossem eles do PSD ou do PCP, do sindicato dos Metalúrgicos ou do movimento Pró-Vida, incentivando os companheiros de luta menos entusiasmados, insultando os inimigos, acenando a cabeça - tipo concerto death metal - aos discursos, eram sempre umas horas bem passadas. (...) Quem nunca experimentou descer a Avenida da Liberdade a cantar o “Unidade, unidade, unidade, do trabalho contra o capital” ou a entoar um belo “de pé famélicos da Terra” num comício de apoio aos heróis da revolução cubana na Voz do Operário, não sabe o que perde. Para mais, as festas destes cidadãos são coisas mais sérias. Há momentos em que parece mesmo que eles acreditam naquelas coisas. Ou, se calhar, era eu que os intimidava com o ar convicto que gritava a Internacional ou me comovia com o sofrimento dos povos oprimidos ou a luta contra o imperialismo dos resistentes albaneses. (...) Até que um dia, fiquei mesmo indignado com o aumento das portagens na Ponte 25 de Abril e resolvi ir participar no bloqueio. Aquilo foi mesmo do coração, nada que ver com o meu hobby. Num impulso, saí a correr do trabalho e meti-me no carro. Dei a volta por Santarém e cheguei ao bloqueio a buzinar como um possesso. Achei que estava a perder qualidades já que as pessoas olhavam para mim, assim, meio de lado, algumas chateadas mesmo. Até que fui insultado e partiram-me o vidro da traseira.
Três meses para a peça chegar de Inglaterra: a Rolls Royce não tinha o vidro em stock."
Pedro Marques Lopes in Sinusite Crónica, hoje
Era uma sensação única: de braço dado com os camaradas, fossem eles do PSD ou do PCP, do sindicato dos Metalúrgicos ou do movimento Pró-Vida, incentivando os companheiros de luta menos entusiasmados, insultando os inimigos, acenando a cabeça - tipo concerto death metal - aos discursos, eram sempre umas horas bem passadas. (...) Quem nunca experimentou descer a Avenida da Liberdade a cantar o “Unidade, unidade, unidade, do trabalho contra o capital” ou a entoar um belo “de pé famélicos da Terra” num comício de apoio aos heróis da revolução cubana na Voz do Operário, não sabe o que perde. Para mais, as festas destes cidadãos são coisas mais sérias. Há momentos em que parece mesmo que eles acreditam naquelas coisas. Ou, se calhar, era eu que os intimidava com o ar convicto que gritava a Internacional ou me comovia com o sofrimento dos povos oprimidos ou a luta contra o imperialismo dos resistentes albaneses. (...) Até que um dia, fiquei mesmo indignado com o aumento das portagens na Ponte 25 de Abril e resolvi ir participar no bloqueio. Aquilo foi mesmo do coração, nada que ver com o meu hobby. Num impulso, saí a correr do trabalho e meti-me no carro. Dei a volta por Santarém e cheguei ao bloqueio a buzinar como um possesso. Achei que estava a perder qualidades já que as pessoas olhavam para mim, assim, meio de lado, algumas chateadas mesmo. Até que fui insultado e partiram-me o vidro da traseira.
Três meses para a peça chegar de Inglaterra: a Rolls Royce não tinha o vidro em stock."
Pedro Marques Lopes in Sinusite Crónica, hoje
2.12.08
a confissão tardia de uma desnecessidade atroz
"(título): George W. Bush diz que o que mais lamenta é a falha dos serviços secretos sobre o Iraque
(ideia): O Presidente em exercício dos EUA, George W. Bush, disse ontem que aquilo que mais lamenta é o fracasso dos serviços secretos em relação à existência de armas de destruição maciça no Iraque, numa entrevista ao programa World News, da cadeia de TV ABC, citada pela Reuters."
transcrição do PÚBLICO on line, hoje
(ideia): O Presidente em exercício dos EUA, George W. Bush, disse ontem que aquilo que mais lamenta é o fracasso dos serviços secretos em relação à existência de armas de destruição maciça no Iraque, numa entrevista ao programa World News, da cadeia de TV ABC, citada pela Reuters."
transcrição do PÚBLICO on line, hoje
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