sábado, 8 de Março de 2008

Sim, eram muitos. E agora?

Os 80 milhares de pessoas que se terão manifestado em Lisboa fizeram-no com objectivos diversos, que foram desfilando nas palavras - tão eloquentes - que de alguns deles ouvi na SIC.
Dizia um que estava contra "a avaliação em si". Outro acrescentava que "isto não se faz aos professores". O incontornável Nogueira dizia um arrebatado "a ministra tem de tirar ilacções políticas", depois da manifestação. Uma senhora confirmava que sentia que havia manipulação política e que isso lhe desagradava. Finalmente, um cavalheiro na ordem dos 40, perguntado porque se manifestava, depois de um silêncio prolongado lá arrancou "porque a ministra nos está a lixar". Muitos outros entendiam que a ministra se devia demitir, talvez por se sentirem "lixados".
Claro que os 10, 12 testemunhos que escutei não seriam representativos. Mas nada garante que eles não sejam sinal daquele temor difuso que nos chega quando um sistema de discriminação sistemática nos é imposto. É da natureza humana recear a discriminação negativa, quando, como é próprio de qualquer sistema, também ocorrerá a necessária valorização dos melhores.
Se esquecermos os números, quanto aos fundamentos e à consistência do protesto, estamos conversados.
E continuo convencido que outra batalha decorria hoje nas ruas de Lisboa, muito mais subliminar, a ponto de a ninguém ter visto a sua referência: Mário Nogueira deu quase KO como grande líder face a Carvalho da Silva, o novel erudito, caído em desgraça no PCP e na verdade incapaz de fazer coisa parecida com a massiva "agit prop" que aquele mobilizou.