Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

mellow Pedro

O Pedro Santana Lopes voltou ao lugar onde sempre foi mais feliz, a arena mediática, uma espécie de quarto de brinquedos para gente adulta.
Esta semana, em entrevista a Judite de Sousa, invocou Nosso Senhor, fechou os olhos quando falava da sua querida líder Manuela Ferreira Leite e teatralizou e peixeirou longamente, no seu velho e requentado estilo.
Lá lhe fugiu o pá para a asneira, quando confundiu os rácios de investimento da câmara (20 - custo estimativo do prometido túnel do Saldanha - em 100 não é 1%).
Para o Pedro de 2009 só Lisboa o interessa e apaixona, e o cimento das obras é uma vocação que faz questão que se lhe cole.
O Pedro é um promitente autarca à antiga, daqueles que aqui há anos faziam rotundas e fontanários por todo o lado. Tratando-se da capital então que sejam túneis.
Dentro de 3 meses perceberemos se os lisboetas reforçaram a sua maturidade e se são capazes de funcionar com a memória crítica de quem a utilizou como quem utiliza um brinquedo. E um brinquedo é sempre um instrumento de prazer. Só que Lisboa é um desafio para gente adulta. Serão os lisboetas capazes de o entenderem?

os assassínios que desmentem a democraticidade da Rússia

"(em) Reunião com o Presidente Medvedev
Angela Merkel expressa “choque” pela morte de activista russa

A chanceler alemã, Angela Merkel, expressou hoje “choque” perante a morte de Natalia Estimirova, uma importante activista de direitos humanos, encontrada assassinada na véspera, depois de uma reunião com o Presidente russo, Dmitri Medvedev, em Munique.
Natalia Estimirova tinha sido levada de perto da sua casa em Grozni, Tchetchénia, e o corpo foi encontrado mais tarde na vizinha república russa da Inguchétia.
A chanceler alemã sublinhou que “do lado russo tudo deve ser feito para encontrar os assassinos” de Estimirova.
A activista era amiga da jornalista Anna Politkovskaia, a jornalista russa assassinada em 2006, e investigava crimes cometidos pelas forças de segurança tchetchenas ou milícias apoiadas pelo Governo.
Esta foi a última de várias mortes de defensores de direitos humanos que têm acontecido na Rússia, levantando dúvidas sobre as promessas do Presidente Medvedev garantir o estado de direito.
(...) na Rússia os autores de crimes que vitimaram defensores de direitos humanos têm passado impunes, e as investigações não têm encontrado suspeitos para levar a julgamento."

fonte: "PÚBLICO", ontem

a vergonha para Portugal que é ter Alberto João Jardim num cargo público

Depois da proibição do comunismo o que faltará ainda a Alberto João defender? A proibição da homossexualidade? O veto ao exercício de cargos públicos por mulheres? A passagem para 21 da idade mínima para se votar? O restabelecimento da pena de morte? A expulsão de todos os imigrantes sem emprego?
É toda uma agenda que em coerência se pode seguir na cabeça deste homem. E quando verificamos que dois terços dos portugueses concorda, hoje, com a readopção da pena de morte, então estamos mesmo conversados: o Alberto João Jardim não é louco. Ele sabe que tem "mercado" para este programa de extrema-direita e fala grosso para ele, não para o país todo.
A Jardim pouco interessa que as suas palavras suscitem indignações. Sente-se intocável. No fim, galhofará e lá há-de prosseguir a sua vidinha, feita de pequenas e maiores tiranias numa região que trata como a sua quinta.
Não é só do PSD a culpa da incrível impunidade deste homem e da sua clique. É uma culpa de todo o sistema de poderes, incluindo o judicial. E é uma vergonha para Portugal ter tal despotismo saloio num cargo eleito ininterruptamente há mais de 30 anos. O que é que este homem saberá de tão perigoso para que todos se calem perante os seus desmandos?

Quem o país avisa... nosso amigo é

"Falhas de controlo das entidades públicas abrem porta à corrupção
A Falta de verificação dos trabalhos a mais nas empreitadas. Ausência de verificação dos termos em que os contratos públicos são celebrados. Falta de controlo sobre conflitos de interesses e favoritismos. Ausência de sensibilização dos funcionários públicos para a intolerância face a casos de corrupção. São algumas das falhas detectadas pelo Conselho de Prevenção da Corrupção (CPC) na actuação dos organismos públicos. E representam “riscos elevados de corrupção”."


in PÚBLICO de hoje

Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

as palavras necessárias do Pedro sobre as nossas misérias essenciais

"Algo tem de estar muito mal neste país para que 65 por cento dos portugueses defendam a prisão perpétua e 26 por cento concordem com a pena capital."

Pedro Camacho, in "Visão", hoje

a magia da grande torre



"The Eiffel Tower is illuminated during the traditional Bastille Day fireworks display in Paris July 14, 2009."

foto REUTERS/Gonzalo Fuentes

é por estas e por outras que alguns duvidam... e muitos confiam



"U.S. President Barack Obama throws the ceremonial first pitch prior to the start of Major League Baseball's All-Star game in St. Louis, July 14, 2009."

foto REUTERS/Jeff Haynes

Stieg Larsson


Está à venda o terceiro e último volume da série de novelas policiais de Stieg Larsson, ou melhor, de Lisbeth Salander. O título em português é "A Rainha no palácio das Correntes de Ar".
É seguro que não há mais e que Lisbeth Salander e Mikael Blomqvist não terão mais vida depois disto, pois Stieg morreu pouco após ter terminado este último volume da de resto prevista tríade.
São muitas centenas de páginas para sorver como se faz com um prato que não mais será repetido. Uma espécie de última ceia. Imperdível.

Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

ele há males que vêm mesmo por bem


A Assembleia da República demorou, contorceu-se, mas acabou por oferecer ao país um excelente resultado. O perfil e o registo público histórico de Alfredo José de Sousa apontam para que possa vir a ser dos melhores Provedores de Justiça que já conhecemos.
Foi um respeitado presidente do Tribunal de Contas; é um magistrado com provas dadas de independência em relação a partidos e corporações; parece encorpar na medida justa o papel de defensor dos cidadãos perante o Estado, que a Constituição lhe comete.
Espera-se que Alfredo José de Sousa possa ter ainda um outro propósito como seu, superar o constante apagamento dos seus antecessores, sobretudo de Nascimento Rodrigues.

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

gente fina ao telefone, uma semana atrás

"Bom dia senhor professor.
Bom dia Manuela. Ora, vá lá, não me trate por senhor. Professor basta.
Sabe como é, pode alguém estar a escutar.
Ó Manuela, ninguém desconfia sequer destas nossas conversas.
O professor já decidiu falar sobre as leis fracturantes que o PS prepara?
Mas, Manuela, o marqueteiro, o Joel, nada nos disse ainda. Ainda há pouco perguntei. Faz ideia se já se pensou de que modo se deve abordar o tema?
Sim, pelo que me disse o Zeca a ideia seria o senhor ...
... professor, só professor...
... claro, desculpe, estava só a citar o Zeca. Ora, decidiu o Joel que o professor deve ser prudencial, como agora se diz. Deve prevenir publicamente que o governo e o parlamento têm de ter cuidadinho antes das eleições, pois senão o professor veta e é uma chatice.
Pois, não se sabe é para quem. Imagine a Manuela que eu veto uma lei de que as pessoas gostem?
Sim, mas o professor não vai a votos em Setembro, não é verdade? O senhor faz discurso preventivo e eu nada digo. Se correr mal o pior que lhe pode acontecer é perder uns pontitos de popularidade.
Nada que eu não possa recuperar com uma presidência aberta, pois claro. Mas, e o Zeca disse em que circunstâncias é que devo falar? E dicas para esse discurso, o Joel avançou-as?
Pois não sei, ó professor. Eu mando o Zeca falar com o Joel e depois logo se lhe faz chegar. Bom, dê cumprimentos meus à Maria.
Muito bem, hei-de transmiti-los à doutora Maria Silva.
Adeus senhor professor.
Vá com Deus, Manuela."

um desígnio que é, em si, todo um programa

"Helena Roseta quer dois lugares elegíveis na lista de António Costa"

in PÚBLICO on line, hoje

o humor de chumbo do Rodrigo

"chumbos duplicam nos exames de português
- kota: xme de pt korreu farsola. ñ prcbo pq."


Rodrigo Moita de Deus, hoje, no 31 da Armada

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

as ponteiradas do "mestre-escola" e a dignidade dos políticos

O Presidente Cavaco Silva tem intensificado as mensagenzitas dirigidas ao Governo e em geral aos políticos, em toada fortemente populista e beligerante, sempre alinhada com a do PSD. Como ainda hoje voltou a suceder, inteiramente a despropósito da cerimónia de aniversário do Tribunal de Contas.
Há aqui um ângulo interpretativo poucas vezes referido: quando esses pequenos recados são passados, quase sempre com microfones e câmaras por perto, Cavaco menoriza sem pudor políticos que, como ele, foram eleitos, ou foram legitimados por eleitos dos portugueses.
Um dia destes alguém há-de ter a coragem de ripostar publicamente na mesma moeda ao senhor que se senta em Belém, dizendo-lhe com todas as palavras necessárias que o órgão institucional Presidente da República tem o rigoroso dever ético e democrático de respeitar a dignidade institucional e igualmente democrática de todos e de todas as demais instituições. Esse dia chegará, é mais que certo, e não vai ser bonito de ver.

o António Costa e a Câmara Municipal de Lisboa


Conheci o António em diversas ocasiões e em múltiplos papéis, há já mais de 20 anos. Ele é daquelas pessoas sobre quem não é preciso pensar muito. Conhece-se e confia-se. Depois, o António Costa tem variadíssimas qualidades específicas. Escolho duas: a discrição disciplinada e a inteligência pragmática.
Em Outubro a decisão dos lisboetas não será entre António Costa e Santana Lopes. Lopes não existe. Esse é outra coisa, um mero espasmo, enquanto político. O que se resolverá em Outubro é se os lisboetas estão à altura de merecerem o António Costa por mais 4 anos. Perderá muito mais Lisboa que o António, se não for sua a vitória. E é óptimo ver o Gonçalo Ribeiro Telles a acompanhar o António nesta sua oferta à cidade onde o Tejo se encontra com o grande mar Atlântico.

Domingo, 12 de Julho de 2009

gente feliz e importante sem lágrimas



"Indian Prime Minister Manmohan Singh (back L), France's President Nicolas Sarkozy (bottom L), Britain's Prime Minister Gordon Brown (C), Italy's Prime Minister Silvio Berlusconi (bottom R) and German Chancellor Angela Merkel look on during a family photo of G8 leaders and developing nations during the G8 summit in L'Aquila, Italy July 9, 2009."

foto REUTERS/Jason Reed

Sábado, 11 de Julho de 2009

a senhora da rua da Esperança

Não consigo sequer pensar-lhe um nome. A senhora terá perto de 90 anos. Toda de preto. O seu olhar estende-se sempre da varanda do segundo andar para o horizonte. De quando em quando deixa-se distrair se alguém passa com ruído. Mas logo volta ao horizonte, que perscruta invariavelmente por uma hora seguida. Sinto que às vezes se cansa de olhar. Então desaparece por minutos. Mas volta logo depois. Dizem-me que assim passa todos os dias, há muito tempo. Olha o vazio como se esperasse por alguém, ou por algo. E é certo que espera.

um bem vindo sítio de sobremesas



Ontem não conhecia a Leonor Sousa Bastos. Hoje não só a conheço razoavelmente como sinto que passarei a vê-la regularmente. A vê-la no seu sítio, já se vê, na "Flagrante Delícia". Uma mulher e um lugar deveras refrescantes.

música clássica nas empresas

A notícia apanhei-a de raspão, mas o suficiente para estremecer. A RTP promoveu um pequeno concerto de música clássica nos seus jardins, creio que depois da hora de almoço.
Vi os músicos vestidos com razoável informalidade. Vi os trabalhadores da empresa, bastantes, quase todos entre o sorriso e o enlevo. Percebi que fazia um sol fantástico e que a temperatura estaria amena.
E estremeci porquê? Porque, de repente, uma pequena ideia como esta de levar um painel de músicos eruditos (não estou certo, mas pareceu-me que eram músicos da Orquestra Sinfónica de Lisboa) a um princípio de tarde de uma empresa pode ter consequências revolucionárias.
Cada vez mais, eu acho que o problema principal dos portugueses é a cultura, no sentido de que em geral os portugueses são mais preguiçosos, mais impermeáveis às formas de cultura e interacção social que lhes imponham mais exigência.
E será que a música pode ser o fenómeno indutor da mudança do nosso paradigma cultural?

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

será que Manuela Ferreira Leite é uma socrática?

Ontem, por entre mais um sem número de contradições e mentiritas, Manuela Ferreira Leite veio fazer uma confissão que decerto muito atrapalhará a líder do PSD: adere e subscreve as políticas do PS e de José Sócrates na esfera social, mas lastima o índice da sua execução.
O que se seguirá? O anúncio de que Manuela Ferreira Leite até votou PS em 2005? Ou será que a sua ambição é mais modesta e "future oriented", digamos um lugarzinho executivo num próximo governo rosa? Se eu fosse Sócrates convidava-a desde já, em público. Para assessora de ministro, naturalmente. Não exageremos.

as palavras duradouras do João Pinto e Castro

"(...) É absurdo basear-se uma estratégia para o país na enumeração de vulnerabilidades. Uma estratégia constrói-se a partir de oportunidades, forças, capacidades, competências e recursos existentes. O que quer que venhamos a fazer resultará decerto da potenciação daquilo que de positivo já existe ou está a emergir. Todavia, os subscritores do Manifesto do 28 parecem só conhecer o país através da Contabilidade Nacional. (...)

Pede o Manifesto dos 28 que o programa de investimentos públicos seja submetido ao escrutínio de um painel de técnicos independentes. Ora a avaliação custo-benefício, exigida por pessoas que nunca a ela recorreram quando desempenharam cargos governativos de relevo, implica a atribuição de valores monetários a coisas que não têm um preço, como sejam a vida humana ou a protecção do ambiente. Logo, tem implícitas preferências de todo o género, a que em rigor só se pode chamar prioridades políticas. Por que deveremos nós delegar num grupo de alegadas sumidades uma tal responsabilidade?

O receio de decidir e agir é um traço de personalidade associado à improdutividade. Os autores do Manifesto justificam a inacção com a necessidade de se pensar melhor sobre o assunto, mas, pela amostra, a qualidade da reflexão também não se recomenda."


ler tudo n' "o Provador de Venenos"

humanidade e sofrimento em Mardan



"An internally displaced woman holds her child while taking refuge at a school in Mardan, nearly 150 km (93 miles) by road northwest of Pakistan's capital Islamabad, July 8, 2009. About 2 million people have fled from their homes because of the fighting, most since late April from the Swat valley and neighboring districts. Most of the displaced are living with family or friends in "host communities" but about 280,000 are in more than 20 tented camps on the lowland below Swat."

foto REUTERS/Faisal Mahmood

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

o descaramento de um político medíocre



O ridículo Silvio Berlusconi escolheu a cidade mártir de L'Áquila para a festiva cimeira do G8, que hoje começou. Esperava decerto fazer propaganda, no sentido de que 3 meses depois todas as diligências se tinham feito.
Afinal, em vez da glória, os aquilenses protestaram forte e feio para mostrar que ainda dormem em tendas, como se vivessem na Somália, ou no Sudão.
Mas, o slogan escolhido - "Yes we camp" - sendo notável, é sobretudo eloquente. Foi pensado para Obama e o mundo perceberem que não é somente de Berlusconi a responsabilidade. Todos somos culpados de em Itália milhares viverem ainda ao relento, sem condições, três meses depois.

o incansável amigo da Dª Manuela

Dir-se-ia que um pensamento comunicacional único comanda hoje o discurso e as políticas de Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite.
A recomendação aos partidos e ao governo hoje tornada pública por Belém para que se não produza demasiada legislação controversa em fim de mandato repete com boa exactidão o que a líder do PSD veio dizer na noite de 7 de Junho passado e nos dias seguintes.
É como se uma lista de tarefas e palavras fosse por um guru distribuida à vez pelos dois amigos, num "ora primeiro falo eu e depois tu", para depois se fazer um "agora diz tu que depois digo também eu".
Em inícios de 2006, quando eleito presidente, Cavaco prometia cooperação estratégica. Percebe-se bem agora com quem e para quê.

sobre a Comissão parlamentar para o caso BPN

Claro que o resultado final da Comissão parlamentar para o caso BPN foi decepcionante. Quem (ou)viu as sucessivas audições, ou pelo menos algumas, esperaria ver muito mais pedagogia, mais sentido propositivo, mas também mais distanciamento (auto)crítico de todos os intervenientes. Ou seja, o PS impôs um resultado deslavado, muito aquém do que poderia ter constituído uma viragem na percepção geral do valor do trabalho parlamentar.
Mas, por outro lado, é bem verdade que, nas palavras e na postura geral de alguns dos parlamentares "perguntadores", Vítor Constâncio e o Banco de Portugal apareceram sempre como se fossem eles os verdadeiros malfeitores da história BPN. O que não é verdade e até é ridículo. Ora essa conclusão não poderia ser permitida.
Há pois que encarar os resultados do trabalho desta Comissão como se encara uma boa degustação gastronómica: é bom apenas enquanto dura. Neste caso, já não foi pequeno resultado.

o Val a cascar nos políticos que temos

No Aspirina B, Val caracterizou sumariamente os participantes no "Prós & Contras" de anteontem, o tal que era para se chamar "Juízo Final".
A verve do Val é crua e o retrato sedutor. Ora leiam:

"Santos Silva esmagador é a norma. Ele tem as informações, a boa-fé e a literacia. Não precisa de mais para anular opositores que não comungam destes mínimos. Num Prós & Contras em que estava só contra 4, acabou fresco e a malhar forte e feio em adversários reduzidos à impotência. Desconcertante.

Morais Sarmento é aflitivo. Não faz a menor ideia da imagem de fragilidade e confusão que passa à audiência ao tentar raciocinar em directo. Representa muito bem o PSD pós-Cavaco, e por isso tem feito parte do núcleo duro do partido desde Barroso. É também por comparação com ele, e figuras como Aguiar-Branco, que se louvam as qualidades de Paulo Rangel; ou seja, a suposta excelência da estrela em ascensão nasce, afinal, de não ser politicamente indigente como os colegas de partido.

Luís Fazenda é um tractor ideológico. Inútil conversar com este mecanismo, o seu rumo está traçado e há uma batalha da produção demagógica para vencer. Deve deitar-se todas as noites com o sentimento do dever cumprido. Coloca a cassete com cuidado na mesinha de cabeceira e adormece em paz.

Carlos Carvalhas chocou-me pela sua caducidade. Desconheço se há algum quadro clínico que a explique, ou se é fenómeno natural. Seja como for, o PCP ficou muito mal representado.

Nuno Melo é um bronco. O bronco queque, beto, cagão, armado ao pingarelho, rebentando de vaidade e acinte. Fiel sucessor de Portas, é mais um coveiro do CDS."

eis onde irei muito muito em breve


Terça-feira, 7 de Julho de 2009

a falácia da Justiça

É bem verdade que se sente ineficácia na aplicação da Justiça, em Portugal. Mas têm exagerado aqueles (muitos e notáveis) que vêm utilizando o exemplo do chamado "caso Madoff" para contrapor o "modelar" funcionamento nos Estados Unidos ao paupérrimo desempenho em Portugal.
Teve de ser um inesperadíssimo Joe Berardo a vir dizer a este propósito o óbvio: que Madoff foi sentenciado depressa pois depressa confessou todas as culpas que lhe assacaram. Em Portugal, nenhum dos poderosos envolvidos em grandes processos jamais confessou, sequer parte.
Pegue-se no exemplo do "caso Casa Pia". Se fosse somente Carlos Silvino o único réu e culpado, por o ter precocemente admitido, há anos que já estaria condenado.
Dizia ainda Berardo que conhece casos de empresas falidas cujo processo se arrasta, nos Estados Unidos, há mais de 20 anos. Modelar então, não é?

e o futuro?

O debate político soma e segue, com abundante referência ao passado. De futuro ouve-se coisa nenhuma. A oposição opõe-se à governação feita, apoucando quanto pode. O governo fala do que fez, magnificando sem prudência. E em muitos portugueses, estou certo, assomará o espanto de não verem surgir propostas do que cada um e todos se propõem fazer, se ganharem eleições e constituirem governo. É distração, ou somente o vazio das suas preocupações, ou será então incompetência de todos para o pensamento do longo prazo?

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

conseguirá a palavra chegar ao músculo?



"A woman talks to a police officer in riot gear during clashes in Hamburg July 4, 2009."

foto REUTERS/Christian Charisius

chegou a prova que faltava (da não democraticidade da Coreia do Norte)



"A North Korean soldier kicks a goat on the banks of the Yalu River near the North Korean town of Sinuiju, July 5, 2009."

foto REUTERS/Jacky Chen

Domingo, 5 de Julho de 2009

é amanhã o dia do "juizo final"

Não é da Biblia que falo, nem me passa pela cabeça desejar que tudo acabe hoje, para que um messias amanhã todos julgue.
Do que se trata é da estação de serviço público de televisão, que assim mesmo titulou a sua "sitcom" de debate, amanhã à noite. E o que pretende a produção? Que de um lado estejam as "feras", ou seja a oposição político-partidária, e que do outro se sente o mártir, o governo.
Seria estúpido o anseio de tal título, se não fosse pindérico.
A juntar à cultura, caro José Sócrates, aí tens mais uma área em que redondamente falhaste, a intervenção do Estado na comunicação social.
Deixo proposta para a próxima legislatura: que se privatize a RTP, concessionando-se as funções de serviço público a todos os privados.

mil e três

Quando este Café nasceu apenas sabia que ele tinha de existir. Pensei no desafio como quem decide abrir uma boa tasca, ou uma boa mercearia. É a mesma coisa. Mil e três chávenas depois o Café continua aberto. E isso importa-me.

particularidades da maior democracia do mundo


"Passengers travel in an overcrowded train in the eastern Indian city of Patna July 2, 2009. "

foto REUTERS/Krishna Murari Kishan

Sábado, 4 de Julho de 2009

as mudanças e eu


Desde miúdo que mantenho uma particular relação com as mudanças. Por vezes são pequenas coisas, a inversão do critério de arrumação dos livros, ou dos discos. Em outros casos muda quase tudo, num repente uma sala é virada às avessas, ou mesmo duas salas trocam uma com a outra. Há seis anos, quando troquei de casa, foi mesmo uma festa. Foi uma semana inteira no planeamento e empacotamento de tudo e mais alguma coisa. No próprio dia, duas camionetas e uns dez homens tudo recolheram e tudo depositaram na casa nova. A escada telescópica deu ao evento maravilhoso cunho espectacular. Dois dias depois a nova casa aparecia-me como um bálsamo na vida. Como se fosse uma nova vida. Anseio aliás por uma próxima troca de casa, não porque me falte algo em concreto, mas para, novamente, ter a ocasião de dispor tudo de maneira diversa. Já me perguntaram como explico eu esta inclinação, ou esta mania, como alguns lhe chamam às vezes. Nem sei bem. Dir-se-á que mudar é imanente ao ser humano, é sinónimo de progresso. Será. Mas, para mim, mudar é melhorar a qualidade de vida, a minha qualidade de vida. Mudar é fustigar o cansaço das coisas que estão sempre na mesma, é esbofetear o "rame rame" do que me rodeia. Quando mudo dramaticamente qualquer coisa sinto que inaugurei um ciclo novo, uma nova era. Como se fosse uma brisa. Melhor, como se fosse uma pequena revolução.
E porque falo eu disto hoje? É que hoje mudei meia casa. Demorei dez horas. Esgotei-me. Mas, com a obra feita, sinto que mora aqui um tipo novo. Eu.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

20 anos parece uma eternidade


"Recentemente, a BBC fez com que um adolescente de 13 anos usasse durante alguns dias o primeiro modelo do Walkman em vez do habitual IPod. Foram precisos três dias para que o jovem descobrisse que a cassete tinha dois lados."

in PÚBLICO de ontem

sentimentos por detrás do muro



"Soldiers are seen behind shields at the National Congress in Tegucigalpa July 1, 2009. The Honduran interim government said on Wednesday there was "no chance at all" of Zelaya returning to power after a coup last weekend, defying international pressure to restore the leftist leader."

foto REUTERS/Edgard Garrido

tresler Manuel Pinho na hora da saída

Ontem, na SIC, Manuel Pinho lamentou a situação ocorrida no Parlamento, acrescentando que o que agora o preocupa é "passar umas belíssimas férias".
É isto que o prestigiado PÚBLICO retém hoje da entrevista.
Mas quem a ouviu tem de reter passagens muito mais relevantes do que o agora ex-ministro disse.
Disse-se arrependido do que fez. Disse-se orgulhoso do trabalho de 4 anos e meio. Disse-se admirador de José Sócrates. Falou do dever que sentiu em pagar de volta (pay back) um pouco ao país daquilo que o país lhe dera na sua carreira. E disse tanto mais.
E de tantas opções que teria o PÚBLICO escolhe uma passagem de 10 segundos, para tresler e novamente apoucar alguém que sai de cena e que até pediu desculpa por um estúpido episódio que protagonizou.
É caso para dizer que no seu pior Manuel Pinho se encontra afinal com o pior da melhor imprensa que temos. Uma tristeza, ó José Manuel Fernandes.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

a dualidade que importa sublinhar

Manuel Pinho foi bem demitido. O seu gesto é grosseiro, vergonhoso, e não poderia ser desculpado.
Mas não tem autoridade para se pronunciar quem, como o PSD e pessoalmente Paulo Rangel, permitiram que continuasse deputado e se continuasse a sentar na primeira fila da bancada o deputado Martins, que há bem pouco tempo mandou outro deputado (Afonso Candal) para sítio impróprio até de conversa de taberna.

o pastel de nata do "Martinho da Arcada"

Quinze anos depois os pastéis do "Martinho da Arcada" pareceram-me melhores que nunca. São servidos quentes, devem ser polvilhados abundantemente com canela e custam apenas 90 cêntimos. E o "Martinho" fecha todos os dias às 11 da noite. Recomenda-se peregrinação urgente.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

e sai um "ora viva" ao António Barreto

O António Barreto já está na blogosfera e eu não sabia. É dele o Jacarandá. Bravo, António.