
Em Santa Isabel o CSI também concorreu às eleições de hoje. O CSI é o Compromisso por Santa Isabel, naturalmente. Talvez se lhe possa chamar CSI Santa Isabel. Pela piada do nome esolhido, talvez, lá percorri a lista do CSI. Vi nomes de família repetidos, uns a dois, outros a três. Serão pais e filhos? Avôs e netos? Não reconheci ninguém e fiquei a admitir que serão provavelmente todos vizinhos bem dispostos de um só prédio. Uma ideia gira, sem dúvida.
Santa Isabel é a freguesia lisboeta que me adoptou, tinha eu 3 anitos e provinha da quase vizinha Lapa, na altura ainda chamada de Prazeres, onde morava a minha avó Teresa. Fui a Santa Isabel fiel durante 38 anos e de algum modo ainda sou. Apesar de pela vida expulso para os bairros de caixas de cimento que rodeiam a grande cidade, lá volto sempre que posso, garantidamente quando há eleições. E depois há o privilégio de votar no magnífico e ao mesmo tempo tantas vezes dramático Liceu Pedro Nunes.
(Descansem que vou deixar os meus sonhos e os meus dramas do Pedro Nunes para outro dia.)
Pois hoje Santa Isabel reservava-me alguns problemas de consciência.
Numa das listas concorrentes à Assembleia de Freguesia vi o nome do meu amigo e extraordinário homem Mário Tomé. O Mário que foi deputado à Assembleia da República 4 anos, entre 1979 e 1983, e que foi o ícone e o excelente companheiro de várias lutas e discussões e utopias de quando eu tinha vinte e tal anos e fazia política com tanto gosto e empenho. Pois o Mário era hoje candidato de meio da lista ao lugar mais pequeno em que se faz política e eu tive muita pena de não poder votar no Mário. Neste caso em nome dos meus princípios, pois antes da pessoa, são sempre os programas, as ideias, os projectos e a matriz cultural que para mim prevalecem. Se fosse pelo indivíduo, seria no Mário Tomé que hoje votaria, pois ele é mesmo uma excelente pessoa. Diga o que disser quem não o conheceu.
Também me senti condoído por não poder votar no Rodrigo Moita de Deus. O Rodrigo é brilhante, tem um humor e uma inteligência raríssimas. Pelo menos o Rodrigo que conheço melhor, o Rodrigo que escreve no “
31 da Armada”, ou o Rodrigo que se entretém a cultivar a sua cultura monárquica. Ora o Rodrigo era o último suplente daquela lista. E eu, mesmo que me dispusesse a trocar as convicções pelo prémio e o incentivo à inteligência e ao brilho do Rodrigo, não percebo como é que pode alguém ter o Rodrigo na lista e pô-lo em último suplente. Incrível.
Lá votei pois onde a razão me ditou.
Confio que um dia o modelo eleitoral perfeito há-de permitir-me o voto múltiplo, ou então dual, para que eu possa seleccionar não só a plataforma política (vulgo o partido) como os indivíduos para executarem os seus desígnios. Será então uma espécie de democracia de nova geração, uma 3.0, para usar um jargão deste tempo.